quarta-feira, 12 de março de 2014

ECOLOGIA PROFUNDA: UM NOVO E FASCINANTE PROCESSO DE GESTÃO



                                      




                                 ECOLOGIA PROFUNDA: 
                                        Um Novo Renascimento



                                                                (*)Fritjof Capra


Só uma mudança radical na percepção dos males planetários, acima de diferenças sociais, culturais e raciais, pode garantir a vida das gerações futuras em um mundo sustentável. Hoje, a maioria das pessoas concorda que os anos 90 constituem uma década crítica, perdida. A sobrevivência da humanidade e do planeta está em risco. Os anos 90 e os primeiros 50, dos anos 2000 – no mínimo – representam seis décadas do meio ambiente.
Não porque nós decidimos assim, mas por causa de acontecimentos que quase fogem ao nosso controle. A preocupação com o meio ambiente não é mais uma entre muitas questões; ela é o contexto de tudo mais: nossas vidas, nosso trabalho, nossa política, educação, paz interior, enfim, tudo. Estamos hoje diante de uma série de problemas globais que prejudicam a biosfera e a vida humana de maneiras tão alarmantes que logo podem se tornar irreversíveis. Temos vasta documentação sobre a extensão e significado desses problemas.
Uma das melhores fontes é a série de relatórios anuais State of the World (Situação do Mundo), publicada pelo Worldwatch Institute (Instituto de Vigilância Mundial). Na avaliação da “saúde ambiental” do planeta estes relatórios observaram as mesmas tendências alarmantes ano após ano. As florestas do mundo estão desaparecendo, enquanto os desertos se expandem. A camada superior das terras cultiváveis está diminuindo, enquanto a camada de ozônio, que nos protege dos raios nocivos ultravioletas é destruída. A concentração de gases retentores de calor está aumentando enquanto o número de espécies de plantas e animais diminui.
A população mundial continua crescendo. E a diferença entre ricos e pobres, também. Vertiginosamente, a população cresce numa proporção aritmética, tendo como base a adição. Mas a concentração de poder e riqueza explode em proporção geométrica, ou seja, multiplicando número por número. Assim, aumenta significativamente o número de pobres que são cada vez mais pobres, mais miseráveis. Enquanto o número de ricos aumenta pouco em unidades, mas se tornam muito mais ricos.
Daí a contínua socialização dos problemas, da fome, da miséria, o que requer uma profunda mudança de paradigmas no contexto da gestão da gestão pública, e, principalmente, na administração da economia e das finanças no âmbito humano de suas relações. Quanto mais observamos os grandes problemas do nosso tempo, mais percebemos que não podem ser resolvidos isoladamente.
São problemas sistêmicos – inter-relacionados e interdependentes. Estabilizar a população do mundo só será possível quando a pobreza for mundialmente reduzida. A extinção de espécies animais e vegetais continuará em escala maciça enquanto o Terceiro Mundo estiver sobrecarregado de dívidas. Somente interrompendo a escalada armamentista teremos recursos para evitar os numerosos impactos destrutivos sobre a biosfera e a vida humana. Se observarmos atentamente a situação perceberemos que, em última instância, tais problemas são apenas diferentes facetas de uma única grande crise, que é, em essência, uma crise de percepção. Ela resulta do fato de a maioria de nós, especialmente nossas grandes instituições sociais, adotarmos conceitos de uma visão de mundo ultrapassada: uma percepção da realidade inadequada para lidar com o nosso mundo atual, superpovoado e globalmente inter-relacionado. Ao mesmo tempo, pesquisadores da ciência mais avançada, vários movimentos sociais e numerosas redes alternativas estão desenvolvendo uma nova visão da realidade, que constituirá a base de tecnologias, sistemas econômicos e instituições sociais futuros.
De maneira que estamos no começo de uma transformação fundamental de visão de mundo na ciência e na sociedade; uma mudança de paradigmas tão radical quanto a revolução de Copérnico. O paradigma que vai chegando ao fim dominou nossa cultura por vários séculos, durante os quais configurou a sociedade moderna ocidental e influenciou significativamente o resto do mundo. Esse paradigma consiste em uma série de idéias e valores, entre eles a visão do universo como um sistema mecânico composto de estruturas elementares, a visão do corpo humano como uma máquina, a visão da vida em sociedade como uma luta competitiva pela existência, a crença no progresso material ilimitado a ser alcançado pelo crescimento econômico e tecnológico e – por último, mas não menos importante – a crença de que uma sociedade na qual a mulher é em toda parte subordinada ao homem segue uma lei básica da natureza. Todas estas suposições têm sido categoricamente desafiadas por acontecimentos recentes. E, na verdade, elas estão passando por uma revisão radical.
  • Um Fio na Teia da Vida – O novo paradigma, que pode ser chamado visão holística do mundo, vê o mundo como um todo integrado e não, como uma reunião de partes dissociadas. Também pode ser chamado de visão ecológica, se o termo “ecológico” for usado em sentido muito mais amplo e profundo que o habitual. Este sentido mais amplo e profundo do “ecológico” está associado a uma escola filosófica específica e, além do mais, a um movimento global radical conhecido como “ecologia profunda”, que vai rapidamente ganhando destaque. A escola filosófica, fundada pelo filósofo norueguês Arne Naess no início dos anos setenta, distingue ambientalismo superficial de ecologia profunda.
Esta distinção hoje é largamente aceita como terminologia útil para referir-se à grande divisão dentro do pensamento ecológico contemporâneo. O ambientalismo superficial é antropocêntrico. Vê o homem acima ou fora da natureza, como fonte de todo valor, e atribui à natureza apenas um valor instrumental ou de uso. A ecologia profunda não separa do ambiente natural o ser humano nem qualquer outro ser. Não vê o mundo como um aglomerado de objetos isolados, e sim, uma teia de fenômenos essencialmente inter-relacionados e interdependentes. A ecologia profunda reconhece os valores intrínsecos de todos os seres vivos e vê os seres humanos como apenas um fio particular na teia da vida.
Ela reconhece que estamos todos inseridos nos processos cíclicos da natureza, e, em última instância, somos dependentes deles. Finalmente, a consciência ecológica profunda é espiritual ou religiosa. Uma vez que o conceito de espírito humano é entendido como o modo de consciência no qual o indivíduo sente-se conectado com o cosmos enquanto um todo, torna-se claro que a consciência ecológica é espiritual em sua essência mais profunda. Não surpreende portanto, que a nova visão emergente da realidade, baseada na consciência ecológica profunda, seja coerente com a chamada “filosofia perene” das tradições espirituais – quer estejamos nos referindo à espiritualidade dos místicos cristãos, dos budistas, ou à filosofia e cosmologia subjacentes às tradições dos nativos americanos.
A teoria científica dos sistemas vivos, que se originou da cibernética nos anos quarenta do século XX, mas que emergiu por completo apenas nos últimos vinte e cinco anos mais ou menos, fornece a formulação científica mais apropriada de ecologia profunda, ou paradigma ecológico. Esta teoria vê o mundo em termos de relações e integração. Sistemas vivos são conjuntos integrados, cujas propriedades não podem ser reduzidas as das unidades menores. Exemplos de sistemas abundam na natureza.
Cada organismo – da menor bactéria, passando pela vasta série de plantas e animais, até os seres humanos – é um todo integrado e, conseqüentemente, um sistema vivo. Células são sistemas vivos, como também o são os vários tecidos e órgãos do corpo: o cérebro humano é o mais complexo. Mas os sistemas não se restringem a organismos individuais e suas partes. Os mesmos aspectos de totalidade são exibidos pelos sistemas sociais – como a família ou a comunidade – e por ecossistemas que consistem de uma variedade de organismos e matérias inanimadas em mútua interação.
Todos estes sistemas naturais constituem totalidades cujas estruturas específicas surgem das interações e interdependência de suas partes. As propriedades do sistema são destruídas quando ele é dissecado, física ou teoricamente, em elementos isolados. Embora possamos discernir as partes individuais em cada sistema, a natureza do todo é sempre diferente da mera soma de suas partes. Por isso, a abordagem dos sistemas não se concentra em blocos isolados, mas sobretudo, nos princípios básicos de organização.
  • Mudando Para a Integração – Como os sistemas vivos cobrem uma ampla série de fenômenos – organismos individuais, sistemas sociais e ecossistemas – a teoria fornece uma estrutura e uma linguagem comuns para a biologia, a psicologia, a medicina, a economia e muitas outras ciências; uma estrutura na qual a tão urgente perspectiva e ecológica está explicitamente manifesta. Uma propriedade dos sistemas vivos é a de formar estruturas de múltiplos níveis dentro dos sistemas. Cada uma delas forma um todo com relação às suas partes e, ao mesmo tempo, é parte de um todo maior.
Assim, células combinam para virar tecidos, tecidos para formar órgãos e órgãos para formar organismos. Estes, por sua vez, existem dentro de sistemas sociais e ecossistemas. Por todo o mundo vivo, encontramos sistemas vivos residindo dentro de outros sistemas vivos. Uma das vantagens da abordagem dos sistemas é o fato de os mesmos conceitos poderem ser aplicados em diferentes níveis de sistemas, o que, com frequência, leva a diferentes insights. Até aqui enfatizei as percepções e o pensamento.
Mas a ecologia profunda requer não apenas uma mudança de nossas percepções e maneiras de pensar. Ela também pede uma mudança correspondente em nossos valores e ações. E aqui é importante notar a impressionante relação entre mudança de pensamento e de valores. Ambas podem ser vistas como a passagem da auto-afirmação para a integração. Estas duas tendências – a de auto-afirmação e a de integração – constituem aspectos essenciais de todos os sistemas vivos. Nenhuma das duas é intrinsecamente boa ou má. O que é bom ou saudável, é um equilíbrio dinâmico entre as duas; o que é mau ou não-saudável, é o desequilíbrio, a ênfase exagerada em uma tendência e a negligência da outra.
No antigo paradigma, enfatizamos exageradamente os valores e modos de pensar auto-afirmativos e negligenciamos seus correspondentes integrativos. Existem diferenças de cultura para cultura; contudo, o que estou sugerindo não é a substituição de um modo por outro, e sim, o estabelecimento de um melhor equilíbrio entre os dois. O pior, é que boa parte de nossas instituições estão conseguindo disfarçar com base no discurso, ou na implantação de medidas isoladas do pensamento integrativo – que na verdade, se anulam no seu cotidiano – e assim, empresas, instituições e pessoas já pensam e se dizem estar no caminho certo, tendo com isto, um álibi perfeito para continuarem a solapar muito mais a economia, explorar as pessoas, devastar a natureza e assim por diante, estando, portanto, muito mais a serviço da degradação e do caos.
Claro que precisamos de muito, mas muito mais do que isto mesmo. Tendo isso em mente, vamos analisar as várias manifestações da passagem da auto-afirmação para a integração. No que concerne ao pensamento estamos nos referindo à passagem do pensamento racional para o intuitivo, da análise para a síntese, do reducionismo para o holismo, do pensamento linear para o não-linear e complexo, da tendência materialista para a espiritual, do comprometimento elitista para uma visão global de sociedade, buscando beneficiar a todos e não a segmentos estanques. No que concerne aos valores, estamos observando a uma transição correspondente da competição para a cooperação, da expansão para a conservação, da quantidade para a qualidade, da dominação para a parceria. E claro, relativizando tudo isto para a prática, o cotidiano, as ações concretas de cada um e do todo o potencial humano atuante num mesmo, ou em múltiplos processos.
Pode-se notar que os valores auto-afirmativos – competição, expansão, dominação, etc. – estão, em geral, relacionados com os homens. De fato, na sociedade patriarcal, eles não são apenas privilegiados, mas têm também recompensas econômicas e poder político. E esta é uma razão pela qual a mudança para um sistema de valores mais equilibrados é tão difícil para a maioria das pessoas, e, sobretudo, para a maioria dos homens. Este é também um forte motivo de uma aproximação natural entre a ecologia profunda e o feminismo, conforme expresso no ecofeminismo.
  • Oikos, Nosso Lar Terreno – Toda a questão dos valores é crucial para a ecologia profunda, ela é, de fato; a característica central que a define. Enquanto todo o velho paradigma, incluindo o ambientalismo superficial, está baseado em valores antropocêntricos (isto é, centrados no homem), a ecologia profunda se baseia em valores ecocêntricos (ou seja, centrados na terra). É uma visão de mundo que reconhece o valor inerente da vida não-humana. Todos os seres humanos são membros de Oikos, o Lar Terreno; a comunidade mundial que se une por uma rede de interdependências.
Quando essa profunda percepção ecológica tornar parte de nossa consciência cotidiana, um sistema ético radicalmente novo emergirá. Tal ética ecológica profunda faz-se urgente hoje, especialmente na ciência, já que a maior parte do que os cientistas estão fazendo não é no sentido de promover e preservar a vida, mas destruí-la. Com físicos criando sistemas armamentistas que ameaçam varrer a vida do planeta, químicos contaminando o meio ambiente, os mananciais de água e de recursos naturais renováveis ou não, criando o efeito estufa, o aquecimento global do planeta; biólogos criando novos e desconhecidos tipos de micro-organismos que se transformam em vírus nocivos sem saberem ou se responsabilizarem pelas consequências; psicólogos e outros cientistas torturando animais em nome do progresso científico. Com todas estas atividades em andamento, revela-se importantíssimo introduzir novas posturas éticas na ciência moderna, num tempo em que já é quase tarde demais.
Em geral, na nossa cultura, não se reconhece que os valores não são periféricos à ciência e à tecnologia, mas constituem sua base ou força propulsora. Durante a revolução científica do século XVII, os valores eram separados dos fatos e desde esta época tendemos a acreditar que os fatos científicos são independentes do que fazemos, e, portanto, independentes de nossos valores. Na realidade, os fatos científicos emergem de toda uma constelação de percepções, ações e valores humanos – em uma palavra, de um paradigma – dos quais não podem ser separados. Embora boa parte da pesquisa científica possa não depender explicitamente do sistema de valores do cientista, o paradigma maior, dentro do qual a pesquisa é realizada jamais será isento de valores. Os cientistas, portanto, são responsáveis por suas pesquisas, não apenas do ponto de vista intelectual, mas também moral. Por fim, a visão de que os valores são inerentes a toda natureza viva está fundada na experiência ecológica profunda, ou espiritual, de que a natureza e o eu são um só.
Esta expansão do eu até chegar à identificação com a natureza é o fundamento da ecologia profunda, conforme reconheceu claramente Arne Naess: “O cuidado decorre naturalmente se o eu se expandir e aprofundar de maneira que a proteção da Natureza seja sentida e concebida como a proteção a nós mesmos...
Da mesma forma que não precisamos de nenhuma moral para respirar (...), se o seu eu, no sentido amplo, abraçar outro ser humano, você não precisará de nenhuma exortação moral para demonstrar cuidado... Você o fará por você mesmo, sem sentir qualquer pressão moral para fazê-lo... Se a realidade for como é experienciada pelo eu ecológico; nosso comportamento surgirá de maneira natural e graciosa às normas estritas da ética ecológica”. O que isso implica é que a conexão entre a percepção ecológica do mundo e o correspondente comportamento não é uma conexão lógica, mas psicológica. A lógica não nos conduz do fato de sermos parte integrante da teia da vida até certas normas de como deveríamos viver.
Entretanto, se tivermos uma consciência ecológica profunda, ou experiência de sermos parte da teia da vida então seremos (em vez de deveríamos ser) propensos a cuidar de toda a natureza viva, e, especialmente, de todos os nossos irmãos humanos, independente de nacionalidade, raça, cor, condição humana, credo, condição econômica, social, ou sexual. Na verdade, dificilmente podemos deixar de responder desta maneira.
  • Surge o Novo Paradigma – Vou agora falar de outro modo pelo qual Arne Naess caracterizou a ecologia profunda. “A essência da ecologia profunda”, diz ele: “é colocar sempre questões mais profundas. Esta também é a essência da mudança de paradigma. Chegamos a um tempo que é preciso questionar todos os aspectos do antigo paradigma. A ordem é duvidar de absolutamente tudo. Provavelmente não será necessário descartar-se de tudo, mas, antes é preciso saber que se deve estar disposto a questionar tudo. Um outro aspecto importante é o de analisar o aspecto dual das coisas, dos fatos e fenômenos.
Nada é absolutamente bom ou mau para tudo e para todos. O que é bom para o homem pode não ser bom para a mulher, o que agrada o rico pode prejudicar profundamente o pobre e assim por diante. Então devemos nos perguntar sempre ao fazer alguma coisa: - A quem beneficiamos e a quem prejudicamos ao fazermos isto? E o mais ponderado e viável deverá ser escolher uma estratégia, um método, uma forma que seja a menos prejudicial para todos os direta e indiretamente envolvidos no processo.
Portanto, a ecologia profunda coloca questões modulares a respeito dos próprios fundamentos de nossa visão de mundo e nosso modo de vida – modernos, científicos, industriais, voltados para o progresso e materialistas. Ela questiona todo este paradigma de uma perspectiva ecológica; da perspectiva de nossas relações com os outros, com as relações futuras e com a teia da vida da qual fazemos parte.” Uma das áreas mais importantes para ilustrar esta questão é a dos negócios e da economia.
Hoje, o contexto ecológico está se tornando cada vez mais fundamental para os negócios, a economia e a administração. Uma das mais importantes tarefas é a de abandonar a busca cega do crescimento material irrestrito. O crescimento é a principal força propulsora das atuais políticas econômicas e atividades empresariais, e, é, também, o principal elo da destruição ambiental, da crise de valores, da violência, da miséria, enfim, de todos os males do mundo civilizado. O crescimento, é óbvio, é próprio da vida. Entretanto, no mundo vivo ele não tem significado quantitativo, mas qualitativo. Para o ser humano, por exemplo, crescer significa desenvolver-se em direção à maturidade, não apenas aumentando de tamanho, mas também qualitativamente, pelo crescimento interior. O mesmo vale para todos os sistemas vivos. O conceito de crescimento desses sistemas é qualitativo e multidimensional.
Dar qualidade ao crescimento econômico significa estabelecer critérios de desenvolvimento aceitável ou inaceitável. Nos últimos anos, o desenvolvimento sustentável surgiu como um critério central. Lester Brown, do Worldwaltch Institute, que há anos vem sendo um dos principais defensores do desenvolvimento sustentável, define como sociedade sustentável, aquela capaz de satisfazer suas necessidades sem reduzir as chances das futuras gerações e nem prejudicar outros núcleos de vida, bem como as pessoas menos favorecidas. Este, para mim é o principal desafio da sociedade contemporânea: criar ambientes sociais e culturais nos quais possamos satisfazer nossas necessidades sem reduzir as chances das gerações futuras e dos outros segmentos sociais do nosso tempo; dar qualidade ao crescimento econômico, introduzindo o desenvolvimento sustentável como critério chave de todas as nossas atividades.
No Elmwood Institute, estamos empenhados em pesquisas deste tipo junto com um pequeno número de empresas pioneiras em termos ecológicos. Desenvolvemos discussões em mesas redondas, seminários e publicações dentro do que denominamos Ecomanagement Program(Programa de Administração Ecológica). Também aplicamos a abordagem da ecologia profunda na educação em nosso Ecoliteracy Program (Programa de Alfabetização Ecológica), que compreende a elaboração de um currículo escolar orientado para a ecologia, o K-12 e do desenvolvimento de cooperativas comunitárias de educação.
Fazemos isto porque acreditamos que para conseguir a radical mudança de percepção necessária para a sobrevivência da humanidade, numa época já absolutamente tardia, necessitamos de uma ampla campanha pública de educação, discussão e diálogo. Esta é uma iniciativa que transcende as nossas diferenças raciais, culturais, sociais, políticas, religiosas, sexuais, econômicas, ideológicas, enfim, todas. “Ecologia” é a palavra grega para designar “Lar da Terra”. A Terra é nosso lar comum e criar um lar comum para os nossos filhos – que são todos os filhos da Terra – bem como para as gerações do futuro é a nossa tarefa mais importante. É por isso que estamos aqui.
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(*)Físico austríaco radicado nos USA. Recebeu o seu PhD na Universidade de Viena e realizou pesquisas sobre física de alta energia em várias universidades européias e norte-americanas. Publicou inúmeros trabalhos sobre relações da física com a mística e a fenomenologia. É autor de muitos artigos, resenhas, documentários, relatos científicos e livros, entre os quais: O táo da física; O ponto de mutação; A sabedoria incomum; Pertencendo ao universo; A teia da vida e Conexões ocultas.

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MULHERES & ADMINISTRAÇÃO: OS PODERES E OS ENCANTOS DE UMA GESTÃO FEMININA

De manhã cedo
essa senhora se conforma
bota a mesa, tira o pó,
lava a roupa seca os olhos
Ah! Como essa santa
não se esquece de pedir
pelas mulheres, pelos filhos, pelo pão
Depois sorri meio sem-graça
e abraça aquele homem,
aquele mundo
que a faz assim feliz
De tardezinha
essa menina se namora,
se enfeita, se decora,
sabe tudo, não faz mal
Ah! Como essa coisa é tão bonita
ser cantora, ser artista
isso tudo é muito bom
E chora tanto de prazer e de agonia

DE ALGUM DIA, QUALQUER DIA ENTENDER DE SER FELIZ
De madrugada
essa mulher faz tanto estrago,
tira a roupa, faz a cama,
vira a mesa, seca o bar
Ah! Como essa  louca se esquece
quantos homens enlouquece
nessa boca, nesse chão
Depois parece que acha graça
e agradece ao destino aquilo tudo
que a faz tão infeliz
Essa menina, essa mulher, essa senhora
em quem esbarro a toda hora
num espelho casual
é feita de sombra e tanta luz
de tanta lama e tanta cruz
que acha tudo natural





(Essa mulher. Canção de Joyce e Ana Terra.
Lindamente gravada por Elis Regina)
 MULHERES & ADMINISTRAÇÃO:
BABADOS E RENDAS CONSTRUINDO UM MUNDO MELHOR





Antonio da Costa Neto (*)

“As mulheres são artesãs
tecem sonhos com fios de lágrimas
e vidas em suas barrigas,
que ficam cheias de alegrias e esperanças infanfis.
Mulheres são feiticeiras, inventam
magias e encantamentos, acreditam
em príncipes  e  em finais felizes.
Elas trazem em si toda a sabedoria;
repartem o pão, o carinho e o próprio tempo.
Mulheres são seres especiais, são anjos próximos de Deus.
São mães e a mais perfeita tradução dos
mistérios e da eternidade da alma.”

(Bob Hirsch)
Resumo:

O texto trata do papel e da grande importância das mulheres e dos valores femininos na nova administração. Reflete sobre os desafios inerentes à superação das inúmeras crises da produção, da produtividade e da economia. Propõe soluções para uma ação administrativa mais feminina, voltada para a melhoria da qualidade de vida, em termos sustentáveis, abertos, belos; solidários e flexíveis conforme as exigências da economia globalizada do terceiro milênio.
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Todo um conjunto das novas exigências passa a se fazer presente com o advento do terceiro milênio. Assim, a mudança dos paradigmas que norteiam tanto as ciências, como as práticas sociais e os padrões de vida em sociedade requerem posições diferenciadas profundamente; algumas vezes, até revolucionárias. A imensa série de crises porque passa o planeta terra, neste marcante início de século e de milênio já é, por si, um forte sintoma desta necessidade de transformações em todos os âmbitos e segmentos. O que envolve o viver; o produzir; o conviver; o festejar; o desfrutar e até o morrer. Tudo anda inseparavelmente ligado, suplicando por novas fontes do fazer e do gerenciar; onde a mulher passa a ser um personagem da mais absoluta importância e a função por ela exercida, muito mais que indispensável.                                                                                        
Não só a função da mulher, mas também o seu valor e o efetivo reconhecimento; enquanto detentora do poder de equalizar as transformações tão necessárias para que o mundo seja belo, agradável, melhor, as dimensões sustentáveis e a vida prazerosa em todos os sentidos. O que, em síntese é o objetivo de estarmos vivos e em perene desafio.

Até aqui, o paradigma de predomínio do branco, do macho e do capital tem dado às ciências e suas práticas, um caráter absolutamente sexista e com uma tendência masculinizada; capitalista, a serviço exclusivo dos interesses do capital. É o fruto do superado modelo cartesiano de pensar; de ver; de crer, de fazer as coisas, enfim, de administrá-las, concretizando assim as suas grandes metas.

Daí, o resultado de um mundo violento; da degradação da natureza; o já preocupante fim da água, da fauna, da flora, enfim, dos recursos naturais e de uma qualidade de vida em termos no mínimo aceitáveis. A sociedade moderna, apesar de tudo, continua sendo demasiado machista. A ideologia do “falo” ainda constitui um dos atrasos mais gritantes que assola as várias dimensões da vida. Se a mulher é desvalorizada, colocada no segundo plano; como um cidadão de menor grandeza, é evidente que os valores éticos, estéticos, humanos e afetivos que são mais vinculados à natureza feminina, ficam, da mesma forma; secundarizados, em relação à força, à produtividade, à técnica fria;  a produção e o lucro.

 Estes são, na verdade, padrões masculinos; auto-afirmativos; voltados para resultados mensuráveis e objetivos; que desencadeiam as realizações inerentes aos interesses de um capitalismo perverso; profundamente atrasado e centralizador. Congregando, a um só tempo, ganhos enormes, como também, desgastes e conflitos  insustentáveis. Tendo por conseqüências, a fome, a miséria, a opressão, a violência e toda uma realidade que tem feito decair, em níveis assustadores, não só a qualidade de vida humana em sociedade, como também as suas perspectivas futuras.

Fritjof Capra (1 980), faz uma reflexão muito profunda quando relata que é evidente que o comportamento agressivo, competitivo, se fosse absolutamente o único, tornaria a vida impossível. Mesmo os indivíduos mais ambiciosos, mais orientados para a realização de determinadas metas, necessitam de apoio compreensivo, de contato humano; de momentos de espontaneidade e descontração; amor, carinho e afeto.
Em nossa cultura, espera-se, e, com freqüência, força-se a mulher a satisfazer essas necessidades. Assim, secretárias, recepcionistas, aeromoças, enfermeiras, donas-de-casa; executam as tarefas que tornam a vida mais confortável e criam a atmosfera para que os competidores possam triunfar. Elas alegram seus patrões e fazem cafezinhos para eles; ajudam a apaziguar os conflitos nos escritórios; são as primeiras a receber os visitantes e a entretê-los com conversas amenas. Nos consultórios médicos e hospitais, são as mulheres que estabelecem os primeiros contatos com os pacientes que iniciam o processo de cura.
Nos departamentos de física, as mulheres fazem chá e servem bolinhos, em torno dos quais os homens discutem suas teorias. Todos estes serviços envolvem as atividades integrativas, humanísticas e processuais, e, como têm um status inferior em nosso sistema de valores, ao das atividades auto-afirmativas, lucrativas, técnicas e de resultados; quem as desempenha recebe salários e condições de trabalho menores. Na verdade, muitas destas mulheres nem sequer são pagas, como as donas-de-casa e as mães.
 Ao meu ver, esta citação reflete o preconceito machista contra a figura da mulher. Que, muitas vezes, ela própria tenta mascarar e ignorar subjugando-se ao poder do homem; ao poder do macho. Isto é profundamente triste e devastador do ponto de vista da necessária evolução da humanidade frente aos rigores do mundo e os desgastes a que vêm sido submetidas as pessoas.  Pela sordidez de uma onda tecnológica fria sem a inclusão da ética; de uma economia iníqua e de uma singular inversão de valores que se mantém intocável ao longo dos séculos e, diria eu, até dos milênios da existência histórica do ser humano mundo (Costa Neto, 2 003).

Creio que há muito já tenha chegado a hora da mulher assumir o seu papel e o seu poder no gerenciamento das instituições; das empresas, do governo, do terceiro setor. Mas fazê-lo por uma abordagem própria. Agregando doçura; beleza cooperação, a criatividade, a estética, a solidariedade, a poesia. Enfim, trabalhando com a emoção e o sentimento  femininos - e não se tornando os verdadeiros “machos de saias”- como a vasta maioria das mulheres que assume o poder sobre os demais, conforme lembra-nos Muraro (1 991),  para que assim, as tecnologias se abrandam, se tornem mais doces,  os valores humanos aflorem acima dos do capital e do estigma do “ter” sobre o “ ser” a todo o custo.

Ou seja, o papel da mulher, sendo definitivo para que possamos usufruir novas conjunturas e não, apenas de estruturas de superfície, que se diferenciam apenas pragmaticamente,  mantendo a essência das coisas e dos fatos; dentro dos estereótipos de uma ideologia há muito ultrapassada e perpetuadora de um caos insustentável em todas as dimensões e sistemas do chamado mundo contemporâneo.

Nos campos da administração, da política, da economia, das ciências da tecnologia e da comunicação, geralmente estrelada pelos machos “intelectualmente brilhantes” e também na área da ação social, da educação, das artes e muitas outras, temos a presença marcante e histórica de várias mulheres corajosas, ousadas e guerreiras que têm conseguido apresentar diferenciais respeitáveis como os de Hazel Handerson com suas avassaladoras idéias na política e na economia; Marilyn Ferguson, na constituição de verdadeiras redes humanas mundiais para a reorganização do planeta, e, ainda: Clotilde Tavares; Ir. Dulce; Evita Perón; Maria Bonita; Chiquinha Gonzaga; Anna Nery; Mãe Menininha do Gantois; Maria da Conceição Tavares; Frida Kalo; Nélida Pinõn; Ana Miranda; Hilda Hirst; Anaid Beiris; Lota Macedo Soares; Cecília Meireles; Salomé dos Doces; Leila Diniz; Elizabeth Bishop; Florbela Spanca; Patrícia Galvão; Virgínia Vitorino; Olga Benário; Margarida Maria Alves; Nízia Floresta; Violeta Parra; Nilze da Silveira; Heloisa Helena; Rose Marie Muraro; Marilena Chauí; Indira Gandhi; Benazir Butho; Golda Mehir; Madre Teresa de Calcutá; Dulcina de Moraes; Simone de Bonvoir; Elis Regina; Marina Silva; Renée Weber; Oprah Winfrey; Anita Garibaldi e muitas outras.

 Elas têm contribuído enormemente para este novo enfoque que traz o potencial da verdadeira e nova essência, além das meras aparências das formas meramente organizadas. Mas, ao contrário, advogam a real implementação de novos valores que integrem a solidariedade humana, a empatia, o respeito à alteridade, a “feminilização” consciente e eficiente das ciências e suas práticas .E não mais aquelas voltadas para a manutenção dos interesses da parte da humanidade que detém o poder e a riqueza. Mas construindo uma ciência viva e vívida que sirva a todos. Que agregue melhorias concretas num sentido mais pleno e profundo possível.

Em sua clássica obra A conspiração aquariana: transformações pessoais e institucionais nos anos 80, a já citada autora, pesquisadora e jornalista Marilyn Ferguson nos relata com singular sabedoria que as mulheres sustentam a metade do céu.

 Elas representam a maior força única para a renovação política em uma civilização completamente desequilibrada como a nossa. Assim, como os indivíduos são enriquecidos pelo desenvolvimento de ambos os lados do eu: o masculino e o feminino; a sociedade como um todo está se beneficiando amplamente com a mudança do significativo poder entre ambos os gêneros.

Ferguson continua: o poder da mulher é o barril de pólvora de nossos dias. À medida que ela aumenta sua influência na administração, na economia; no governo e em outras áreas de grande importância, sua perspectiva ultrapassará os limites do velho paradigma. As mulheres são mais flexíveis e mais voláteis que os homens, têm consentimento cultural para serem mais intuitivas, sensíveis e sentimentais, mais voltadas para o sentido da proteção e da conservação em seu aspecto mais fluido.

As mulheres mudam as regras do processo de decisão ao administrarem, são muito mais capazes de “esticar as negociações”. Ao invés de exigirem “a fatia do bolo” que os homens produziram com seus instrumentos negligentes e voltados para ganhar a qualquer custo, elas apresentam “uma nova receita”, mais integrativa, mutável e com lacunas a serem preenchidas pelos consumidores deste “novo bolo”. Igualmente, elas facilitam a pluralidade de idéias e a construção coletiva de regras, normas e valores. Também como mães, elas procuram ‘nichos’ de proteção para “seus filhotes”, e, assim, vão conduzindo o mundo para uma perene sustentabilidade, gerando processos de uma vida melhor e mais intensa em todos os sentidos em todos os momentos.

As mulheres possuem um poder mais integrador e tendem a acabar com o fenômeno da estreita definição de papéis e funções entre os gêneros humanos. Hoje em dia, até mesmo, nas lides domésticas, muito por força da coerção feminina, boa parte dos homens enfrenta o tanque, o fogão, cuida das crianças e da casa, da decoração, da limpeza, gerando mais harmonia, prazer e vigor na vida em família. Assim, numa similaridade antropológica dos fenômenos, o mesmo se dá nas outras instâncias onde as mulheres podem exercer alguma forma de poder nas decisões. É a nova dimensão do ‘ecofeminismo’; um fenômeno mundial que deixa claro o grande salto evolutivo das mulheres - diferenciado da evolução dos homens - que especialmente, a partir dos meados da década de sessenta vem ocorrendo em todo o mundo (Capra, 2 003).
 Já há muito, somos sabedores de grupos de mulheres; associações femininas profissionais, de exigência de direitos de igualdade entre os gêneros, de exercício autônomo da vida sexual; espiritual e artística; independência, sagacidade; autonomia; dentre outras. O que passa pela exigência de novas e profundas éticas de organização, canalizando uma excepcional qualidade de gerenciamento. Com base na técnica associada à intuição, à malícia, à percepção aguçada de fatos e fenômenos que passariam despercebidos para a grande maioria dos homens.

Tavares (l 986) defende a idéia da significativa capacidade da mulher para simplificar estruturas burocráticas, rotinas, fluxos; planejamento, pois estão menos preocupadas com o poder pelo poder, pura e simplesmente. Elas são mais autênticas, mais verdadeiras, e, portanto, mais sensíveis, eficientes e criativas neste sentido.

Anseiam muito mais pela funcionalidade legítima, pela dinamicidade das respostas e pela efetividade da ação gerenciada, seja, de produtos ou de serviços. Algumas mulheres precisam se libertar dos estereótipos do modelo masculino de liderança, que é apenas manipulador do poder. Criando muletas eternas que ainda prejudicam boa parte daquelas que não se autorizam a ousar, a serem independentes, a implementarem os próprios valores. Este problema ainda existe, é claro, mas estamos muito mais perto de sua solução, diferente do caso da grande maioria dos homens que ainda caminha no sentido inverso; buscando valores antagônicos, fruto da cegueira conceitual e da crise de percepção das formas masculinizadas de gerir processos de gestão nos vários segmentos em que tais aspectos possam ser compreendidos e implementados.

A ascensão da mulher para assumir a administração é considerada como uma inefável fonte de esperança para o mundo que caminha para o desastre, mas ainda não é demasiadamente tarde para descobrirmos a força do amor, da sensibilidade, da cooperação e da beleza, para que o mundo seja melhor e mais feliz, no que as mulheres têm uma missão da mais alta importância. Mais coração do que razão; mais babados e rendas do que fardas e espadas. Mais sorrisos abertos e formas de carinho do que ordens impostas, dedos em riste, determinações rígidas, concentração de poder.

 O que precisamos é de nos deliciar, comungando com a natureza e não de lutarmos cegamente contra ela, destruindo-a, em função da ganância e da desenfreada competição; do enriquecimento material indefinido; frutos de um modelo absolutamente ultrapassado de administração; uma espécie de “Clube do Bolinha”; onde a mulher não entra e não tem o poder de nada definir ou alterar. Ficando igualmente do lado de fora, a fina inteligência; a sensibilidade; a sagacidade crítica; a sábia intuição feminina, a beleza, a poesia, a arte, agregadoras de amor, comunhão e bondade, eficiência, sutileza; um terceiro caminho de humanização da técnica e do controle organizacional, com vistas à sustentabilidade da administração, do planejamento, dos processos de gestão.  Para que a vida seja preservada com dignidade, alegria e bem-estar; esta sim, a grande meta da boa organicidade, de uma administração que possa ser, de fato, reconhecida por mérito; respeitada, aplaudida e merecedora desta denominação.

Administrar bem é ser um excepcional artista. É enfrentar o palco sem medo do foco, da ousadia, da criação; da sagacidade exigente da platéia; dos novos valores e da possibilidade de segmentos para uma outra história. Onde a organização, segundo Costa Neto(2 004), o planejamento, o poder, a empresa, a economia; a política; enfim, a administração tenham uma dignidade diferente e prestem um outro serviço: pela crença, pelos valores, pela vida, e, por fim, para que a humanidade possa ter paz, ar respirável e alegria de viver em seu sentido pleno, com um equilíbrio saudável em todas as dimensões.

George Stratton (l 976) descreveu a superioridade do cérebro feminino em relação ao masculino na percepção do todo; a esperança, a criatividade que salvariam o mundo quando as mulheres tomassem o lugar que realmente lhes cabe, contribuindo na condução do destino da vida na terra. Segundo o autor, o gênero masculino necessita do âmago feminino para administrar com eficiência e eficácia. As mulheres são mais capazes de exercer a liderança com a necessária empatia, integração e reconciliação, uma capacidade de espera, uma excelente proposta para o futuro, frente às tendências que ora desencadeiam como frutos da chamada nova ordem mundial.

De uma maneira mais ampla, as mulheres são mais propensas a um maior desenvolvimento do hemisfério direito do cérebro, que em harmonia com o hemisfério esquerdo, de fundo lógico, tornam-se mais sensíveis, abertas, críticas e perceptivas. Conduzindo a intuição de uma forma mais inteligente e produtiva. O problema reside na concepção “sexista” da maioria dos homens, e também de muitas mulheres que tendem a menosprezar as decisões e as opiniões femininas; por razões muito mais de vaidade, cultura machista e uma ideologia recessiva; fruto de um histórico patriarcal que comanda nossos valores e formas de enxergar a vida e seus dilemas. É apenas uma questão de percepções rasas, e não, de superioridades ou inferioridades de seres ou gêneros (Oliveira, 2 002).
 
De Gregori (2 000) segue a mesma linha de raciocínio divulgando a concepção cultural da família e da escola que querem, a qualquer custo, “construir mulheres” dependentes e inseguras, para que sirvam aos interesses de seus “pretensos donos e senhores”- numa brutal coisificação e mercantilização da mulher -  e sem questionar, ou fazer valer suas vontades e seus direitos. Submetendo-se, sem que, pelo menos o saibam à condição de “mulher-objeto”, uma ótica muito criticada pelos movimentos feministas e pelas organizações mais sensíveis das décadas de sessenta; setenta e até meados dos anos oitenta; inclusive, como a queima pública de “soutiens”, em manifestações de protestos revolucionários das mulheres, muito difundidos pela mídia internacional.

 Porque toda mudança política que diz respeito à mulher ao seu poder; ou ao seu prazer envolve tantas polêmicas? Como, por exemplo, o uso dos anticonceptivos e da camisinha feminina; a causa do aborto? A liberdade de expressão, do direito de votar e ser votada; o tabu da virgindade; da igualdade de direitos e condições de trabalho; salários e muitas outras?

 A educação da mulher nas nossas sociedades é feita a partir do estereótipo da submissão, da ingenuidade e da subserviência, com o que fica muito mais fácil para a maioria ambiciosa dos homens galgar espaços; conquistar e gozar, sozinhos, dos méritos advindos destas mesmas cobiças. Embora estas possam ser conseguidas das formas mais injustas, escusas e até simbólica ou concretamente criminosas (Costa Neto, 2 003).
Nas escolas de ensino infantil e fundamental, onde se articula o alicerce da formação intelectual e personalísticas, por estratégia, quase sempre, só existem mulheres trabalhando. Para que, por formas instintivas, embora inconscientes, “os machinhos” se encantem; gostem mais da escola; tenham mais prazer em estudar e sejam, é claro, mais bem avaliados e com méritos melhor reconhecidos que as meninas; pela “intencional ingenuidade freudiana das professoras”. E, por uma manobra draconiana de já colocar as mulheres num segundo plano: como “burrinhas”, preguiçosas, indolentes. É, na verdade, um plano frio e abusivo, contra a qual todos nós, homens e mulheres; precisamos lutar cegamente, se quisermos, de fato, conquistarmos melhores dias para todos.

As técnicas masculinizadas e o modelo cartesiano de organização estão absolutamente superados e falidos. Necessitam; portanto; de propostas arraigadas e novas que agreguem comunhão, amor, bondade e solidariedade humana principalmente em relação aos que mais precisam, aos que sofrem, para o quê, a mulher possui muito maior competência e sensibilidade. Favorecendo, de fato, à grande massa dos oprimidos, marginalizados e esquecidos que passam fome e morrem nas esquinas, debaixo dos viadutos e nas filas dos hospitais públicos horrendamente desumanos. Administrar com a verdadeira sensibilidade, visão crítica e compromisso político, o que, culturalmente é mais fácil para a mulher, talvez seja a grande sabedoria que transcenderá aos sofrimentos do mundo, buscando a evolutiva superação do caos (Henderson, l 998).

Estamos todos construindo em conjunto uma “nova linguagem” de qualidade de vida, o que, por certo, envolve novos valores, crenças e ações, para além dos reduzidos papéis masculinos de verdadeiras polícias do pensamento; de redutores da liberdade, da criatividade, da autonomia. Induzindo, portanto, ao medo de um novo poder de criar e sistematizar soluções viáveis e que dêem respostas no mínimo satisfatórias. No fim, tudo se reduz ao tremendo temor e insegurança que o homem, na verdade, tem, de que a mulher se utilize do seu infinito poder de persuadir, de liderar, com sagacidade e criatividade; alcançando, de fato, o que  lhe é  culturalmente negado  durante toda a história das civilizações: o justo direito de ser ela mesma, com direitos, liberdades e prazeres iguais.

É certo que as velhas estruturas geram um tremendo progresso material e tecnológico, como também, criam problemas até muito maiores. Pois tudo é realizado com uma visão bastante fragmentária; em que não se harmonizam causas e efeitos.  A abordagem masculina de gestão para o progresso material e o lucro ilimitado a qualquer custo, produz muito e destrói mais ainda, com suas ações maquiavélicas e egoístas. Longe de concepções e equipes com grupos igualitários e pacíficos, o que requer a profunda liderança feminina, para que a história da evolução das organizações mude este relato de tendências incoerentes e, diríamos, até mentiroso em alto grau.

Faz-se necessário, utilizar a crescente virtuosidade da tecnologia, colocando-a mais a serviço da vida e da felicidade humana; evitando os tão comuns cenários de aniquilação em volta de todo o mundo civilizado, as ameaças lentas e insidiosas de um capitalismo perverso e profundamente opressor, que apenas será combatido pela tenaz inteligência feminina, caso ela seja muito bem aproveitada, de forma assertiva e oportuna.

É preciso, em nossas administrações contemporâneas, colocar um ponto final nos conflitos civis e étnicos, geradores de todos os tipos de violência nas ruas, nos campos, nos estaleiros de nossas indústrias, nos ambientes de trabalho e produção, nas cidades e nas famílias. Necessário se faz que se integrem igualitariamente os gêneros humanos numa ação prática de equilíbrio, sem os mecanismos enganadores. Mas gerando participação, autonomia e poder de decisões em todos os níveis, para mulheres e homens. Não, em contrapartida de competição, mas integrando valores, vontades, ideologias e competências reais e os sonhos de todos.

O paradigma violento da competição-conflito, dominação-submissão; perdas e ganhos, precisa ser rapidamente substituído por concepções e princípios que envolvam novas abordagens e avanços revolucionários que não sairão jamais dos vazios baús das idéias masculinas, mas buscando os sinais de transformação pelas delicadas mãos das mulheres. Conjugando razão e coração com lides mais amorosas, não abandonando, é claro, a técnica; a produtividade; a provisão de lucros eqüitativos e que garantam a sobrevivência calma, lúcida e confortável para todos. Afinal, não estamos falando de filantropias gratuitas, mas de administrações eficientes num mundo gerido pelo poder inquestionável do capital.
É chegado tempo do fim da vitória do capitalismo opressor, dos mercados competitivos e das crescentes crises advindas do eterno “caso de amor” com a moderna tecnologia e seus perversos impactos sobre a vida, a paz, a harmonia;  o meio-ambiente.

 As mulheres, por certo, não mais se utilizarão desta “poção nociva” da evolução tecnológica, da exploração comercial dos povos do planeta e dos seus recursos naturais renováveis ou não. Mas, sem dúvida, farão uma administração calcada em recursos e potenciais humanos regulamentadores de nossas sociedades, de nós mesmos, e, de nossas vidas presentes e futuras.  Resguardando, inclusive as novas gerações de toda esta sorte de sofrimentos e agruras advindas deste tipo absurdo de irresponsabilidade social; uma espécie de crime coletivo, invisível, que vem sendo lentamente cometido contra a humanidade inteira, há milênios.

A busca de formas mais cooperativas, flexíveis, amenas, doces, belas  e mais justas de desenvolvimento virá da opção feminina ao decidir com critérios inovadores próprios e  com benéficos a toda a sociedade civil emergente.  Promovendo a organização de um tempo nosso, único e autêntico, calcada na diversidade de todas as espécies vivas, como verdadeiras fontes de riquezas em favor da vida e seus encantos, é do que nos fala Costa Neto (l 986).

 Uma administração para a plena sustentabilidade dos meios integrais de vida, no exato sentido e força da expressão, deverá criar novas sociedades, outras formas de empreendimentos, de instituições e parcerias onde todos ganhem, colocando fim nas organizações com o foco único no dinheiro e no lucro, na maioria das vezes, abusivo, como um “cassino global”, mas com novos indicadores da economia e do progresso verdadeiro, multidimensional e para todos.Com uma olhada por entre os véus dos levantamentos estatísticos, das planilhas e dos diagnósticos feitos em computadores sofisticados e prontamente capazes de legitimar a fome e a miséria, como também, socializá-las com o maior cinismo.

Henderson (l 996) nos lembra que o Produto Nacional Bruto; o Produto Interno Bruto e outras brutalidades deverão ser rapidamente substituídos por novos indicadores do desenvolvimento humano e da importância da difusão das democracias em todo o mundo. Dando ênfase à satisfação das necessidades urgentes do aperfeiçoamento dos sistemas de tomadas de decisão; que passam a ser democráticos, coletivos e com grandes inovações sociais e, ao mesmo tempo, tecnológicas. Construindo futuros com arquiteturas mais adequadas para que o Século XXI seja realmente mais humano, mais profícuo de felicidades e com muitos motivos para que a humanidade possa comemorar.

Cabe às mulheres a criação de sistemas administrativos com novas concepções, hábitos, pensamentos e paradigmas; como ferramentas mentais mais harmônicas, originais, criativas, abertas, integradas e flexíveis, utilizando concepções antagônicas aos modelos que vêm sendo praticados até os nossos dias, promovendo transformações muito profundas, necessárias e inadiáveis.

Só assim poderemos ver surgir os maravilhosos paradoxos da existência humana e os mistérios profundamente belos como processo e resultado de uma grande, e, quase divina criação em todo o universo conhecido e dentro de nós mesmos, para muito além de planos, tabelas, registros contábeis, lucros e relatórios de caixa de finais de balanços.

A organicidade carece de vida nova, de crenças, de valores humanos que sintetizem a profunda felicidade do viver plenamente todos os momentos, cumprindo assim a função que justifica a vida do ser humano no mundo.O grande drama da organização requer uma nova engenhosidade mental, responsabilidade, sabedoria, sistemas de crenças que até o momento se mostraram disfuncionais e que requerem uma outra atmosfera de emoção e ternura como valores fundamentais para que as organizações sobrevivam e colaborem com o plano maior da dignidade em todos os sentidos.

Finalmente, administração com bases femininas terá seu foco central nas políticas públicas e individuais que possibilitem o planejamento e a inovação em produtos e serviços com vistas ao respeito, aos desejos, ritmos, estilos, personalidades das pessoas que receberão as benesses desta ação administrativa específica. Questionando sempre o arcabouço cada vez mais estreito da economia convencional e destruidora de um mundo minimamente saudável, abandonando o falso universalismo e a visão simplista da natureza humana.  Construindo um futuro multidiversificado e com matizes de um perfeito arco-íris, num tempo em que já é quase tarde demais para a compreensão destes acontecimentos, fatores e necessidades mais que urgentes.

Pelas mulheres serão buscadas, certamente, ondas luminosas para remodelar a produção e o potencial para crescer e aprender sempre com mais otimismo em relação à natureza humana e sua inteira complexidade. Criando ambientes desafiadores e estilos de vida inteiramente a favor da felicidade das espécies; sem quaisquer distinções étnicas, raciais, geográficas, sexuais, culturais ou políticas. Proporcionando, por assim dizer, uma “grande angular”, criando hoje as realidades de amanhã, sendo previstas e esperadas como sonhos, esperanças e alegrias; concretizando utopias e capacidades para a implementação das mudanças tão necessárias. Dando à organicidade um tom profundo de ecologia, como ciência profunda, rica e inquestionável. E, por falar em ecologia, o que é, em síntese,  harmonia e felicidade; lembro-me de uma secular sabedoria chinesa, segundo a qual; “todas as mulheres são árvores, e, juntas, que linda floresta elas formam”.
___________________
(*) Administrador, Mestre em Políticas Educacionais. Consultor em Programas de Gerenciamento; Educação; Pesquisas e Mudanças de Paradigmas. É autor dos livros: Paradigmas em educação no novo milênio; Escolas & Hospícios: ensaio sobre a educação e a construção da loucura; Poemas para os anjos da terra e de vários artigos publicados em jornais e revistas especializadas. Professor de OS&M e Programas de Gestão da Faculdade Paulo Martins em Brasília – DF



Referências Bibliográficas



CAPRA, Fritjof. O ponto de mutação: a ciência, a sociedade e a cultura e emergente. São Paulo: Cultrix, 1 980.
_____________, Ecologia profunda: um novo renascimento. REVISTA NOVA ERA: . Ano III nº 375. São Paulo, 2 001.
COSTA NETO, Antonio da. Sociedades & Conflitos: uma miniatura das relações familiares. In: PROPORCIONALISMO OU CAOS. São Paulo: Lorosae, 2 003.
____________, Paradigmas em educação no novo milênio. Goiânia: Kelps, 2 003.
____________, Batom: uma arma imprescindível. In TRIBUNA DO BRASIL: ano II nº 6l7: Brasília – DF, l 986.
____________, Projeto Humanizar: multiplicando sorrisos – uma resposta aos desafios da moderna economia globalizada do IIIº Milênio (Programa de Consultoria e Intervenção Organizacional). Brasília: Escola Superior de Estratégia e Gerência – ESAG, 2 004.
FERGUSON, Marilyn. A conspiração aquariana: transformações pessoais e organizacionais nos anos 80. Rio de Janeiro: Record, 1 980.
GREGORI, Waldemar de. A construção do cérebro pela família e pela escola. Belo Horizonte: Ed. Luz, 2 000.
HENDERSON, Hezel. Construindo uma sociedade onde todos ganhem. São Paulo: Cultrix, 1 998.
____________, Transcendendo a economia. São Paulo: Cultrix/Pensamento, 1 996.
MURARO, Rose Marie. Os seis meses em que fui homem. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 1 991.
OLIVEIRA, Colandi Carvalho de. Psicologia da ensinagem. Goiânia: Kelps, 2 002.
STRATTON, George. Princípios básicos da psicologia feminina. São Paulo: Mc.Graw-Hill do Brasil, 1 976.
TAVARES, Clotilde. Iniciação à visão holística. Rio de Janeiro: Record, 1 986.

  

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

UMA PROPOSTA PARA A SOLUÇÃO PARA TODOS OS PROBLEMAS DE SUA ORGANIZAÇÃO




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 Uma Abordagem Estratégica
de Teoria, Prática e Práxis
 para a Mudança, a Humanização da Tecnologia,
a Melhoria da Qualidade da Vida e a Longevidade
 das Organizações e das Pessoas
 TEORIA E PRÁTICA DE IMPLEMENTAÇÃO DO
 PLANEJAMENTO SISTÊMICO-CONTINGENCIAL:
o estado da arte da administração no Séc. XXI


                                                                             
“Só nos resta uma saída. E para encontrá-la havemos primeiro planejar para muito além da visão masculinizada de nossas organizações sociais, da ausência de valores, da obsessão pelo progresso econômico. Sem levar em conta nossa dependência do mundo natural. E, rompendo, definitivamente, com o pensamento linear, duro, cartesiano.
Não podemos mais pensar e agir fragmentando as estruturas, mas integrando-as. E, muito menos, falar sobre roupas e talheres reluzentes, e, sim, do brilho que se esvai dos nossos rios e lagos. É certo que estamos construindo um mundo eficiente. Resta saber, eficiente para que e para quem?
Continuamos planejando para as nossas predisposições menos louváveis: cobiça material, competitividade, gula, egoísmo, orgulho, imprevidência, para a exploração fácil e o controle de forma nociva e inumana.
Assim, as instituições obsolescentes estão se desestruturando. Muito antes de desembarcarem em ideologias superficiais, preocupadas unicamente com métodos de produção e lucro, elas precisam se transformar em verdadeiras filosofias de vida. Aí vinculando não só a produção, o lucro, o processo e o resultado. Mas também a compaixão, a alegria, a eficiência, o amor, a beleza e a bondade: um terceiro caminho.”
(Hazel Henderson)

I – INTRODUÇÃO E VISÃO HISTÓRICO-CONCEITUAL

O presente projeto nasce da visão do seu autor sobre  a urgência em se proceder transformações profundas nas organizações e serviços prestados à sociedade como um todo. Inclui-se aí o clima organizacional, a otimização de recursos, a qualidade de vida dos trabalhadores e consumidores, a humanização da tecnologia e tudo passa, em primeira mão, pelo planejamento. Este sim precisa ser o primeiro passo da transformação desejada. A isto, associa-se a necessidade teórica do seu autor de se realizar o  TCC como parte complementar de um curso de  Concepções, Princípios e Metodologia de Planejamento e Gestão de Pessoas feito junto à Fundação Getúlio Vargas/Brasília-DF, conjugando, também, suas experiências no Grupo Amana Key – de São Paulo – sob a direção e responsabilidade de Oscar Motomura, quando então, integrava a equipe de consultores e aprendizes daquela entidade. A sua proposta é maximizar a produção, a produtividade e a lucratividade das organizações e empresas por meio de humanizar e intensificar a qualidade de vida das pessoas que nelas trabalham, em termos dos processos e resultados do que fazem. Ampliando, por assim dizer, esta felicidade para além dos limites das organizações às quais prestam seus serviços. Sendo este, a nosso ver, o grande papel das empresas, e, hoje a grande tendência em todo o mundo. Ao mesmo tempo, o diferencial do sucesso e da longevidade destas em todos os aspectos.
Visando a condução das tônicas da eficiência (fazer a coisa certa/produto); da eficácia (fazer certo a coisa/processo) e da efetividade (fazer certo a coisa certa/contexto) – sendo, portanto a sua trilogia básica a interação produto/processo/contexto – ele visa qualificar e melhorar as pessoas para o entendimento de tais relações, em ciclos evolutivos. Buscando, assim, os conceitos ditados pela nova ordem mundial, que colocam por terra os ditames de um capitalismo opressor, centralizador e inumano que beira a escravidão – ainda que simbólica mas que gera, por si toda uma crise de valores e a gravidade dos problemas que todos enfrentamos e que solicitam mudanças drásticas em todos os planos da ação humana – das pessoas que, por incrível que pareça, ainda reina em muitas das organizações ditas modernas dentro do nosso mercado. Muitos filtros existem, discursos, teorias, inovações ditas humanísticas, éticas, responsivas, mas que esbarram em máscaras e armadilhas do inconsciente, que, estas sim, são as primeiras a ser derrubadas definitivamente; este, o nosso grande propósito nesta perspectiva de mudança.
Entendemos, assim, que os belos discursos e a sofisticação metodológica e terminológica precisam transcender para uma prática concreta, fazendo a palavra andar, no diz respeito à felicidade dos trabalhadores, consumidores, fornecedores, enfim, cidadãos direta ou indiretamente envolvidos no processo produtivo. Quanto aos servidores é necessário desencadear a crença no que fazem, enquanto processos e resultados humanos, sociais, políticos, éticos e ecológicos, dentre outros. Para o que, a nosso ver, precisamos de uma mudança profunda de mentalidade tanto de empregados, como de empregadores. Agregando, assim, uma nova filosofia de ação humana no trabalho, fundamentada, por sua vez, nos valores éticos, na certeza de estarem fazendo bem aquilo que é bom para a qualidade da vida das pessoas e do ambiente que as cerca, dentro e fora dos limites estabelecidos por uma certa ordem funcional, econômica, técnica e burocrática, dentre outras, já a muito superadas dentro do atual contexto de evolução do ser humano e de todas as suas relações.
É mais que necessário acreditar no servidor, deixá-lo mais livre, mais solto para que trabalhe mais e com uma maior produtividade, desejo, realização, fora isto, não há o que fazer. Mas, para isto é preciso que o trabalhador também acredite e confie na empresa que o emprega. Que ele não pague o preço da eterna vigilância pessoal ou eletrônica. E não seja cerceado em seus direitos, criatividade, liberdade para trabalhar e  autonomia nas ações e nas decisões, ou no mínimo, em parte delas. É impossível que o trabalhador produza a contento, para que se chegue a uma economicidade satisfatória, se ele é e continua sendo um autômato, uma peça substituível da engrenagem mecânica, um recurso a mais, como o técnico, o econômico, o produtivo, etc. Sendo tratado como número, código, uma peça a mais sem a menor diferenciação.
Se a empresa, o órgão é feito de pessoas que trabalham para pessoas, estas, por sua vez, merecem um diferencial de verdade, com uma condição livre, diversificada, rica, abrangente, criativa, lúdica, para que, no seu dia a dia, não fique contando os minutos para ir embora ou os anos que faltam para se aposentar e rezando para que o fim de semana chegue logo para se livrar daquele tormento que é, via de regra, o permanecer dentro de qualquer organização que a explora na prática e só o reconheça na  teoria e no discurso em contradição com a realidade. É urgente a necessidade de  casar as duas coisas  e é esta a missão maior deste programa. Um recurso a mais na superação do marasmo, do caos, dos conflitos gerados e dos problemas que vivenciamos todos os dias e que muito nos incomodam.
Entendemos, assim, que já é mais que hora de acabarmos com os ambientes céticos, frios e distantes nas organizações, em que, quem está do lado de dentro do balcão – e em tese, com seus problemas de sobrevivência, emprego, “resolvidos” – enxerga quem está do lado de fora como um estranho, um inimigo em potencial. Perdem a empatia, o calor humano, a compaixão e isto é muito perigoso, transformado cada ambiente em um verdadeiro campo minado em termos de competição psicológica que é o que se necessita conhecer e combater com a veemência possível. As respostas  são monossilábicas a começar, ao telefone. As pessoas não ouvem, não respondem aos agradecimentos, são secas, distantes, e trabalham unicamente, para cumprir a obrigação, manter o emprego e receber seus minguados salários, com o quê, evidentemente, não estão satisfeitas. Assim, o ciclo se repete lenta e silenciosamente, sem que percebamos. Nosso planejamento enfoca a questão da empatia, do calor das relações no trabalho, da responsabilidade ética e da ecologia humana em seus sentidos mais profundos que é, na verdade, o que necessita ser resgatado. Planejar sistêmica e contingencialmente, é isto: humanizar relações, enriquecer o clima, a liberdade, a ludicidade, o ser criativo e livre, o prazer; para que as pessoas trabalhem como as crianças brincam. Com foco no bom processo e tendo a certeza de que fazem bem o que é bom para a vida, a cidadania, a si próprio e aos seus. Pois é na absoluta falta de tais processos que reside a crise e os problemas enfrentados por nossas organizações, empresas, indústrias, escolas, enfim, todos os prestadores de serviços.
Resgatar a confiança mútua, a relação frequente, o aprimorar a autoimagem e nada mais será preciso para que as organizações lucrem por inteiro, reduzam seus conflitos, tensões, estresses e ouros aspectos extremamente negativos mas ainda não percebidos pela administração convencional e as linhas de planejamento unicamente técnicas. Assim, elas irão reverter seus quadros de conflitos, caos, desgastes, prejuízos, desperdícios, vigilância, punição, medo, violência. Absolutamente, ninguém produzirá a contento cercado por tantos monstros, cerceado de sua liberdade. E o que buscamos fazer com este projeto é buscar substituí-los por medidas aprazivas, constituídas de valores, de nobreza, enriquecendo as relações e com elas, o processo e o produto do trabalho, e, finalmente, os resultados esperados.
Busca-se, assim, um clima organizacional leve, alegre, harmonioso, e, claro, produtivo. Trabalhadores crentes, felizes, mais preparados e menos vigiados, com direito à autonomia, à criatividade, sendo livres para trabalharem melhor e com mais prazer. Sendo reconhecidos e valorizados nas ações, na distribuição das decisões, dos bens, dos recursos, dos meios de produção. Assim, eles dividem a harmonia no cômputo do trabalho, da vida, do status social de todos a exemplo das modernas economias do primeiro mundo que tanto almejamos. E claro, por efeito dominó irão sendo reduzidas as crises, os conflitos sociais, a violência que se expande e invade nossas casas. Ou seja, a saída possível para a solução dos problemas que se acumulam  nos campos da organização e da vida humana. Entrelaçar ética e realidade, bem-estar e trabalho, lucro e utilidade, respeitando a integridade do ser humano que trabalha, produz, consome e dá lucro. Todos tratados e reconhecido no plano dos iguais, dentro de uma proporcionalidade e dignidade aceitáveis no plano dos negócios de hoje em dia. Qualificar e reconhecer pessoas como pessoas e não como meros instrumentos de trabalho, peças da engrenagem, ou elos de ligação entre a produção e o consumo, pois isto é coisa do mais remoto passado e que não podem mais ser admitidas.
A empresa deve conhecer e respeitar a individualidade, a diferença das pessoas por meio de pesquisas e diagnósticos contínuos e atualizados. Entender, principalmente, que as pessoas criativas, lúdicas, inovadoras é que fazem falta nos processos organizativos e aceitar a dualidade que é própria do ser humano. Claro que os criativos provocam conflitos e mudanças que são, absolutamente saudáveis quando bem administrados, e sem este perfil de pessoas nossas organizações mórbidas, frias e lineares estão fadadas ao caos num muito curto espaço de tempo. É então, uma questão de escolha. Interpessoalidade, respeito às diferenças, alteridade ampla no cômputo do trabalho mais personalizado e menos padronizado possível. Tratamento intermitente, cooperação, participação real. Nosso trabalho visa ao alcance desta mentalidade profundamente nova que irá garantir não só a sobrevida das organizações, bem como a economicidade, a produtividade desejadas. Escalando, portanto, novas e democráticas normas como o exigem o momento de evolução histórica do homem no mundo. E, muito mais, dentro de todas as organizações que o compõem. Precisamos correr para acertar o ritmo com a evolução que transcende espaços, condições e classes, sem o quê, estaremos irremediavelmente defasados.
Intuir e perceber que sistemas macro e micro, se encontram instaurados em contingências marcadamente especiais e que devem ser estudadas caso a caso. Equipes maiores ou menores, grupos formais ou informais, pessoas, ações, políticas e diretrizes devem ser consideradas de forma proporcional e complementares, sem maiores ou menores importâncias de uns ou de outros. Todos se intercomplementam. Todas as atividades são exercidas com importâncias semelhantes, complementares e justapostas, perfazendo um ciclo harmonioso que é o que garantirá o sucesso e a continuidade. Devendo, portanto, ser assim reconhecidas. Intercambiando, fazendo trocas simultâneas para isto, benesses, recompensas, ganhos, considerações. Não é mais possível que poucos ganhem sempre e para isto, muitos estejam o tempo todo perdendo em tudo: posição, ganhos, condições de trabalho, participação nas decisões, acesso aos meios de sobrevivência (dinheiro, bens, conforto pessoal, etc.) qualidade de vida. São proposituras da evolução histórica da humanidade incluindo aspectos técnicos e produtivos, dentre as quais figuram nosso mercado e nossa economia. E não podem, jamais, abrir mão deste contexto em termos mais profundos. Daí a proposta deste trabalho como elo de articulação desta nova realidade tão esperada e desejada por todos os direta ou indiretamente envolvidos em tais processos.

     I I – APRESENTAÇÃO

     O que é o Planejamento Sistêmico-Contingencial ?

Constitui uma nova metodologia de planejamento e ação organizacional realizada e implantada por todos, e, não mais, por planejadores especializados. Ela se baseia e integra simultaneamente as concepções convencionais dos planejamentos tático, estratégico e operacional, dando a eles uma nova roupagem de modo a responder satisfatoriamente com soluções eficientes e eficazes que deem respostas mais satisfatórias aos problemas que envolvem tanto o todo (sistema), quanto a parte (contingência), daí a sua denominação.
Os modelos tradicionais de planejamento vislumbram apenas o problema maior em torno do qual se trabalha. Esquecendo-se ou ignorando, contudo, que existe um grande contexto em sua volta. Com o quê,  muitas vezes, cria outros problemas, que juntos, podem até acarretar prejuízos e desgastes maiores ainda. Mas que nem sempre são vistos, pois se diluem no esquema ideológico que se monta em torno de questões semelhantes. Este sim, o grande mal que precisa ser suprimido, sob pena de nossas organizações e nossa sociedade se sucumbirem ao caos. Pois é ele que emperra o todo.
Na presente proposta, as soluções só se tornam políticas e diretrizes de ação apenas depois de confrontados os impactos que poderão criar em torno de todas as situações, estados, pessoas, enfim, as circunstâncias envolvidas, etc. Quando se planeja sistemática e contingencialmente, não se trabalha apenas com esquemas táticos e científicos frios e fragmentados. Mas incluem-se todos os demais fatores ideológicos, humanos, sociais, ecológicos, éticos, técnicos e econômicos inerentes ao processo maior que se desencadeia. Bem como os aspectos emocionais e práticos – até níveis individuais – que se seguem na ação do planejamento em si e da sua posterior execução propriamente dita. Entende-se que o técnico e o econômico precisam ser priorizados, mas os demais fatores, necessariamente, incluídos, aí está um dos grandes diferenciais da proposta, o desencadeador das mudanças que com ela buscamos.
Solucionar os problemas existentes numa dada realidade, organização, sociedade, empresa, órgão público, instituição, etc. sem quebrar a harmonia de um clima organizacional e de uma cultura satisfatória, este é o segredo. Com ética, responsabilidade social e, colocando em linha de frente, fatores técnicos e econômicos. É o que se busca com a implementação deste programa que funcionará num plano piloto de ações e metas grandiosas. A sua práxis se opera com a mudança profunda dos paradigmas organizacionais que aí estão, desgastados e responsáveis, por sua vez, pelo caos organizacional, os problemas humanos, as crises sociais, econômicas e ecológicas, a violência, a corrupção, a fragilidade da economia, as crises, etc. E os demais aspectos negativos que, de uma maneira geral, todos enfrentamos nos tempos de hoje.
O Planejamento Sistêmico-Contingencial tem também como origem as teorias contingencial e sistêmica que circunda as concepções teóricas da administração e suas escolas convencionalmente estudadas. Fundamentando-se, ainda, nas pesquisas de Alfred D. Chandler, Ludwig Von Bertalanffy, Bert Herllinger, Peter Druker, Domenico De Masi, Fritjof Capra, Marilyn Ferguson, Hazel Handerson e outros. Busca articular os conceitos e as práticas que favoreçam aos vários segmentos internos e externos das organizações em si. É uma proposta que caminha par e passo com os vários segmentos das modernas ciências e práticas produtivas, econômicas e sociais, cujos significados apenas se justificam se atuarem no contexto da busca da melhoria da qualidade da vida humana em sociedade.  Aqui, entendendo-a em seu sentido global e mais amplo. Ou seja, a sociedade vista como todos os cidadãos, independente de credos, raças, situações sociais, gêneros, posições, etc. É a procura infinita, pelo e para o trabalho de uma qualidade de vida, sempre melhor para todos, indistintamente, priorizando a função empresarial  em termos de processos e de resultados mais exitosos. Entendendo o lucro, o sucesso e a sobrevida da organização de forma propositiva, como um resultado natural deste novo fluxo energético. Que é calcado na competência técnica, no compromisso sócio-político e no senso humano de se administrar, gerenciar, produzir e comercializar bem e para o bem da vida, seus processos e seus destinos a prazos indefiníveis.
Assim, orientamos o planejamento a partir  dos princípios de que nas organizações, como também em todas as demais realidades, tudo é relativo. O que nos leva a abandonar a estreita visão objetiva  e o pensar cartesiano dos fatos e dos fenômenos organizacionais para além de uma abordagem subjetiva e atingindo a intersubjetividade de tais fenômenos. que Isto significa inserir no contexto da visão dos empregadores, empregados, fornecedores e clientes concepções filosóficas mínimas, pois o construto do mercado atual não nos permite mais a ignorância, a ingenuidade  também neste sentido. E, finalmente, estes fundamentos devem ser vistos e considerados de várias formas. Dependendo da ótica, da observação, da condição, das crenças e do momento do agente ou do indivíduo que recebe o impacto direto do conjunto de processos que desencadeiam ao comandar, produzir, fornecer ou consumir, etc. Não perdendo de vista o foco do econômico e do produtivo, pois neles centram as funções que justificam a existência daquela organização. Contudo, tais segmentos não podem mais ser exclusivisados e únicos, mas inseridos entre os demais, o que chamamos de abordagem inclusivista. Esta a grande função do presente trabalho frente às demandas macro do atual momento visto pela ótica da globalidade empresarial e econômica que o acerca.
Desta feita, as regras e normas devem ser definidas e difundidas por todos, e, principalmente, por aqueles que vão cumpri-las. Gerentes e gerenciados, governo e sociedade, pais e filhos, professores e alunos, por exemplo, definem juntos os segmentos que devem ser cumpridos em cada ambiente em si, para que todos, dentro do possível, se sintam satisfeitos. As ideologias são também consideradas e não só os critérios técnicos e operacionais, colocando um fim definitivo no exacerbado pragmatismo, na superficialidade como estas coisas ainda são tratadas. As diferenças individuais são incluídas e consideradas nos processos de produção e trabalho para que todos ganhem. O bem-estar, os benefícios reais sejam redistribuídos para todos e não, para os poucos que, nos modelos convencionais de planejamento e gestão, detêm o poder de decidir e o acesso total aos meios de produção e ao lucro decorrente das ações decididas, impostas, e, logicamente, cumpridas quase sempre em prejuízo das maiorias.
Não existe casualidade direta e as variáveis são, na verdade, mais que dependentes – elas são interdependentes – dentro da relação de causa/efeito/processo/resultado de tudo que é feito, do como é feito, do para que e para quem é feito. E, logicamente do, contra o que e contra quem pode estar sendo feito, dentro de uma visão mais ampla de tais processos ao longo do processo histórico de evolução da humanidade, das ciências, técnicas e suas práticas contextualizadas caso a caso.
. Portanto, a reflexão deve ser permanente, em alto nível, evolutiva, volátil, flexível e com bases críticas, viáveis e exequíveis. Na presente abordagem de planejamento é dado um grande “não” aos mecanicismos meramente funcionais e apenas práticos das organizações: burocracia estanque, burra e desnecessária; aos instrumentos do poder pelo poder; pragmatismo excessivo; frieza. Busca-se, uma organicidade flexível e adaptável, preocupada com o ser humano, a ecologia, a ética, a qualidade de vida – e, não só, produção e lucro. Cargos sempre modificados e redefinidos dentro da flexibilidade possível, reconhecendo mudanças e surpresas que podem ocorrer. Decisões descentralizadas ao máximo e amplitude de comando em organizações diferenciadas e integradas. Atendendo, cada uma, seus regimes, climas, momentos, problemas, clientes, realidades micro e macro dentro delas e em sua volta. Ou seja, as organizações saem da vala comum, da mais que ultrapassada visão de padrão. Elas precisam ter algo de novo, de diferente, de personalizado no sentido de ajustarem adequadamente às sociedades e às pessoas a que servem. Abandonando, gradualmente, o modelo pré-existente, inadequado e tendendo a personalizar, a diferenciar a sua identidade, métodos, técnicas, processos, clima, cultura e serviços que prestam.
Não se atinge a eficácia seguindo um exclusivo método ou modelo, o que é, um grande equívoco cometido a séculos. Inexiste uma única forma melhor. Há sempre e infinitamente uma melhor maneira de se organizar, planejar, gerir e fazer as coisas. Por isso, devemos estar sempre prontos para as mudanças, as transformações e abertos ao novo, à crítica, para não nos defasarmos em termos de tempo, espaço, ação, processos, tecnologias, demandas e resultados.
 Tudo depende da interface com o ambiente externo. Sendo a organização que planeja um sistema complexo, composto de vários subsistemas, gerando juntos e interligados um supra-sistema ambiental que responde diretamente  a tudo que lhe é feito – ou que deixa de ser feito, ou seja, é omitido. Daí as grandes crises, os problemas, a dor, os sofrimentos, a violência, as misérias, as secas, o calor excessivo, a poluição, a destruição do meio ambiente, enfim, tudo o que a cegueira conceitual das nossas formas de gerir e de gerenciar não nos permite enxergar, planejar e executar em uma perspectiva nova e diferente. Dificultando, ou melhor, impossibilitando, por assim dizer, a criação e o desenvolvimento uma cultura organizacional que dê respostas assertivas aos problemas que temos. E, também, desencadeando outros valores: mais honestos, justos, humanos, livres, que, ao que parece, é o que todos queremos.
Para isso, dependemos sempre de formulações conceituais e de maneiras abrangentes de estudar os campos não-físicos das organizações, da ciência, da tecnologia, do clima social, do ambiente e da vida que não podem ser simplificadas, como tem sido, a processos de produção e lucro a qualquer custo o que é uma grande irresponsabilidade de nós, seres humanos que fazemos as coisas acontecer. Vimos, aqui, buscando encontrar, como primeiro passo, a unidade entre todos estes aspectos por meio de utros inputs, novos out-puts e feedbacks diferenciados e contínuos: um novo sistema. É o que necessitamos para sairmos do falso e sonolento consenso mórbido, conservador e doentio. Partindo rumo a uma abordagem mais global das organizações como sistemas eminentemente abertos, com comportamentos cíclicos, evolutivos, probabilísticos e não-determínisticos, o que não podemos mais aceitar.
 Bem ao contrário de como, infelizmente, ainda é visto dentro do importantíssimo, mas ultrapassado modelo mecanicista de planejar, gerir e administrar. A proposta sistêmico-contingencial trabalha com a interdependência contínua das partes, uma interligação perfeita rumo à homeostase – equilíbrio dinâmico – entre tudo e todos – para tudo e para todos – com ganhos gradativos, sistêmicos e permanentes. Melhorando, não só as organizações, seus méritos, como também a vida dos que, direta ou indiretamente, a elas se ligam – o que, para nós é, infinitamente, mais importante. Caso contrário, tudo não passa de um esforço inútil, com o qual atiramos no lixo as chances de viver bem, em sua plenitude possível, permeando um novo sistema de planejar e gerir conforme as exigências factíveis do mundo e do mercado de hoje. É preciso, portanto, revolucionar, de imediato as mentalidades, tornando o ser humano mais capaz de pensar, sentir e agir ao mesmo tempo. O que, sem dúvidas, está dentro das exigências do novo milênio que a pouco começamos a viver.  Não podendo mais, repetir os ciclos antigos, viciosos e que não podem mais ser permitidos sob pena  de estarmos negando todas as possibilidades que nos são postas para o sucesso e a vida em plenitude, inclusive, econômica.

     III – JUSTIFICATIVA

Todos conhecemos o fato de que os modelos convencionais de planejamento e gestão já a muito mostram as suas graves anomalias frente à complexidade dos problemas para os quais buscam soluções. O comprometimento ideológico de um planejamento com base na ciência burguesa, na técnica linear, fria e pragmática tem sido um elemento altamente corrosivo do seu fator de qualidade. Perpetuando as grandes crises que assolam as organizações em todo o mundo e os segmentos da chamada vida moderna   da sociedade contemporânea. O desespero, o desmando, a violência e o crime, por exemplo, não são mais, infelizmente, aspectos exclusivos das capitais e dos grandes centros. Sucumbem-se hoje a eles, o homem do campo, os moradores das pequenas e pacatas cidades, apenas para exemplificar. E claro que o planejamento e a gestão que definem os valores numa sociedade capitalista são grandes responsáveis por esta dura realidade e é preciso que seus agentes se conscientizem disto com a máxima urgência. É uma chamada para a possibilidade de se continuar a viver com um mínimo de cidadania, o que sobrevém, inclusive, dos mercados e do trabalho. Além, é claro, de se buscar diretamente a solução para os problemas e as crises internas de nossas empresas, órgãos, serviços públicos, escolas, entidades.
A corrupção, as maldades gratuitas, as intempéries do tempo são frutos da exacerbada exploração da natureza do homem, num plano absolutamente competitivo que nossos modelos de gestão sempre aprimoram, até de forma inconsciente. Criando, desta forma, os gravíssimos problemas aqui já apresentados. E tudo são fatores que se interligam à condução da gestão econômica, da administração, do planejamento. Precisamos, enfim, de um novo paradigma que inclusa processos e resultados, empatia, responsabilidade social, ética e demais mobilidades dinâmicas muito mais que necessárias, mas, esquecidas nos fundos de nossas gavetas. E o entendimento profundo das questões humanas, do teor da ação política à qual se insere, requerem uma nova proposta teórico-prática, que é o que aqui apresentamos. O novo planejamento, ao mesmo tempo sistêmico e contingencial envolve toda uma fundamentação filosófica de valores e princípios solidários, criticamente conscientes e validados nos processos de uma administração de excelente qualidade. Agregando, enfim, os fatores da vida humana: seu objetivo precípuo, sem o quê, nada se justifica.

Diferencial Metodológico do Planejamento Sistêmico-Contingencial

Este planejamento visa uma ação integrada e permanente de todos os envolvidos no esquema, tornando-se, efetivamente responsáveis pela sua execução e êxito. Minimizando a necessidade de controles e punições prejudiciais às pessoas e ao ambiente de trabalho, criando bloqueios negativos e desnecessários. Passando cada um a  interferir  na definição de políticas, diretrizes e ações, a partir de suas  vontades próprias e situações específicas. Cumpre-se, desta forma, a  organicidade a sua função democrática e produtiva que constitui a evolução necessária. Ajuda na definição de novos valores, na humanização dos processos e na distribuição equitativa de todos os meios, processos e resultados. Pois dividir o poder de decisão não é mais apenas um recurso, mas uma estratégia altamente eficiente para qualquer organização moderna. Agindo assim gera as mudanças necessárias para o seu bom funcionamento e a plenitude do alcance de suas metas em termos mais gerais.
Nele, todo o plano de trabalho envolve uma capacitação das pessoas. Propiciando, portanto, o desenvolvimento individual, comunitário e social, partindo da priorização no esquema técnico e, evidentemente, dos seus fatores produtivos. Integra os referenciais ideológicos, filosóficos, emocionais, culturais e políticos. E não, apenas, integrando de forma simplista, a ciência e a técnica que acabam por ser eficientes de um lado e devastadoras de outro.
É um esquema de trabalho desenvolvido por toda a inteligência humana: racional-intelectiva, afetivo-emocional e prático-operacional. Culminando com a inteireza de ação entre os resultados que se esperam e os processos que se desencadeiam em toda e qualquer ação, não só  do planejamento, mas, também, da sua implementação, acompanhamento e consequências mais gerais.
Desencadeia um plano flexível, mutável a qualquer momento. O que prioriza o tempo presente, as histórias, os contextos e as mudanças que deverão ocorrer. Prioriza a produtividade e a lucratividade  mas considera a melhoria da qualidade da vida em todos os fatores trabalhados. Norteando, a partir deste princípio fundamental todos os referencias, as ferramentas com as quais trabalha, as metodologias e os projetos de ação que deverão, a partir daí, ser desenvolvidos.
 É um planejamento para satisfazer as pessoas – e não para as pessoas satisfazerem o planejamento e as normas – como vem sendo concebidas e elaboradas as metodologias antigas, infelizmente, em vigor até os dias atuais. Que satisfazem  técnicas, abstrações e burocracias sem vida. Levando o ser humano, enquanto produtor ou consumidor, a se escravizar, para, se quiser, adaptar-se a elas, mesmo que custe desgastes e sofrimentos de todas as ordens, inclusive, psicológica. Quando, no final das contas, deveria ser absolutamente ao contrário – que é, enfim, o que buscamos.
 Nesta metodologia, inserem-se a responsabilidade, a motivação e a integração de todos. Pois a sua abordagem fará com que as pessoas trabalhem com afinco, vontade, agregando sonhos, desejos e alegrias concretas e duradouras. Possibilita, finalmente, a assertividade plena da ação, o que leva, consequentemente, à drástica redução de gastos, custos operacionais, desperdícios, doenças, absenteísmos e outras mazelas. Amplia, de forma natural e automática a satisfação de todos, tendo como consequência natural, melhores produtos e mais resultados. Descentralizado benefícios concretos para todos e não apenas para os que representam os regimes e domínios organizacionais defasados no tempo e no espaço, pois vivemos na era do saber, das tecnologias avançadas e do pleno reconhecimento dos direitos e dos valores humanos. Trata-se de uma concepção generalista – aplicável em quaisquer campos de ação da vida humana – dependendo apenas de pequenos ajustes caso a caso. Evitando, por meio dela o amplo desperdício de tecnologias e conhecimentos, mão de obra, tempo, recursos, o desgaste, a insatisfação das pessoas, as crises, as violências simbólicas e concretas. Em síntese, traduz-se em melhorias  reais para a organização, a vida, a produtividade e a economia.
A visão que temos de planejamento está centrada numa perspectiva unidimensional que é o lucro pelo lucro ou o ganho pelo ganho a qualquer preço, se for o caso. E isto é demasiado pobre e muito prejudicial para atender às complexidades  do mundo e dos problemas que já transcenderam a uma filosofia dialética. Dá, portanto, um tratamento simplista a questões que, na verdade, são bem mais do que complexas. Visando solucionar esta grave defasagem, a Metodologia do Planejamento Sistêmico-Contingencial trabalha com a tridimensionalidade dos fatos e fenômenos, a que denominamos:
 
QUINZE TRÍADES SISTÊMICO-CONTINGENCIAIS NECESSÁRIAS

1.      Eficiência/eficácia/efetividade – fazer a coisa certa, fazer certo a coisa e fazer certo a coisa certa;
2.      Processo/produto/contexto – métodos e aplicações, a qualidade do que se faz e a consideração de para quem se faz;
3.      Causa/efeito (integrados)/processo/resultado – visão inteira da problemática e suas circunstâncias, atuando em todas as suas dimensões de forma autêntica e simultânea;
4.      Teoria/prática/práxis – relativizar o discurso e a ação que só terão validade com as transformações qualitativas concretas e para melhor;
5.      Objetividade/subjetividade/intersubjetividade – superar o sempre foi assim e ter que ser assim, as coisas mudam, se transformam e são relativizadas o tempo todo;
6.      Ciência/física/metafísica – transcender à limitada abordagem da ciência convencional e suas práticas no real concreto das coisas, perceber além, desenvolver o senso, a criatividade, a percepção dos fatos;
7.      Inputs/outputs/feedbacks – elementos que entram, resultados, produtos, ações, pensamentos que saem para a faixa interna da organização, avaliação permanente para a correção de possíveis falhas e defasagens, no geral, historicamente acumuladas e não percebidas;
8.      Políticas/diretrizes/ações – as ações são realizadas depois de uma análise completa das suas possíveis interferências no processo como um todo e dos fundamentos políticos e filosóficos que as trouxeram à tona;
9.      Técnica/lucratividade/humanização – a produção, a produtividade são consideradas como pontos primordiais de todo o processo, mas articuladas com a humanização da tecnologia e o favorecimento para a melhoria da qualidade da vida de produtores e consumidores;
10.  Integração/recorrência/probabilidade – cumprimento das fases do trabalho pelo pensamento complexo: ciclos e mine ciclos lógicos, sensitivos e operacionais de forma intercomplementar e evolutiva;
11.  Relativização global custo/despesa/lucro – todas as interações econômicas e lucrativas vistas como globais, envolvendo o material, o imaterial, direito, deveres e demais ponderações;
12.  Entropia/Anatropia/Homeostase – permanente equilíbrio dinâmico entre os processos contínuos de evolução e quedas em todo o processo;
13.  Competência técnica/compromisso político/responsabilidade ética – integração entre os processos de produção técnica, da interferência dele no respeito à dignidade e à cidadania em sentido pleno;
14.  Inclusividade/integração/continuidade – preocupação permanente em incluir sistemas, aspectos e elementos, buscando integrá-los para a continuidade em busca de melhoras contínuas;
15.  Ecologia humana/ambiental/social – concepção profunda do ser humano, do ambiente e da sociedade, vistas como realidade uma e em evolução permanente.

IV – OBJETIVOS

         4.1 – Geral:

Implementar o planejamento com relação sistema/contingência, buscando soluções eficientes, eficazes, efetivas, econômicas, congruentes e ecológicas para os problemas de cada organização,  quais sejam: órgãos públicos, Ongs, empresas, escolas, governos, entidades, sociedade civil organizada e afins. Modificando a visão das pessoas, as formas de gerir e a conquista de melhorias concretas em todos os aspectos envolvidos, criando um Novo Plano de Gestão a ser implantado, acompanhado e avaliado de conformidade com os princípios norteadores aqui propostos.

          4.2 – Específicos:

  • Desenvolver nas pessoas as concepções necessárias para o pleno embate em relação aos problemas que vivenciam nas organizações das quais participam elaborando, em conjunto, um novo plano catalisador técnico, econômico, humano e social, o que sintetiza uma melhor qualidade de vida das pessoas e das organizações nos planos sistêmico (o todo) e contingencial (as partes).
  • Buscar a plena assertividade na resolução dos problemas gerais e específicos, por meio do crescimento e melhoria das pessoas, da qualidade do esquema tático e operacional do trabalho e das ações desencadeadas ao longo do processo de produção e produtividade esperadas.
  • Utilizar, corretamente, de uma tecnologia melhor fundamentada técnica, filosófica e ideologicamente, num plano de entendimento e ação rumo a otimizar soluções e angariar benefícios diretos e indiretos para a organização, as pessoas e à sociedade ao qual se insere.
  • Mudar a mentalidade para melhora prática e conceitual quebrando tabus, expulsando preconceitos, montando, a partir daí um novo esquema de eficiência técnica, produtiva, econômica, humana, social e política dentre, outras que se fazem necessárias frente à complexidade organizacional que temos.
  • Implementar sucessivas propostas de planejamento e ação com base em  princípios, valores e fundamentos da  eficácia profissional, do compromisso político com os micros e o macro sistemas e o uso de tecnologias inovadoras.
  • Intercambiar – trocar – processos alternativos para maiores ganhos, lucros, não só econômicos, mas em sentido global, possibilitando novos ciclos de evolução  dentro das metas que se visa a atingir.
  • Reelaborar os planos de trabalho, de conformidade com as concepções apresentadas, discutidas e sistematizadas ao longo da implementação da metodologia, em consonância com o desenvolvimento global dos vários segmentos organizacionais e humanos envolvidos.
 V – IDENTIFICAÇÃO DO PROJETO

Metodologia de Implementação do Planejamento Sistêmico-Contingencial:
Fases/Etapas/Filosofia/Ações:
         
·        Etapas a Implementar: Seleção de um grupo representativo dos segmentos integrantes do  tema/problema a ser trabalhado (em todos os níveis de mando, assessoria ação e execução).    Ministrar o Workshop – com no mínimo 30 (trinta horas-atividade) para a fundamentação teórica, discussão e amadurecimento de todos os processos cos envolvidos. Introdução ao contexto metodológico da prática de planejamento em seus aspectos básicos para a sua implantação no esquema real. Assim, serão necessárias outras 20 (vinte) horas de trabalho para a etapa de implantação, concluindo aí a coleta de dados e o diagnóstico que se expandirão em planos táticos específicos para cada caso, devidamente negociados.

·        Método de trabalho: Indução e dedução (simultâneas), argumentação, sistematização e conclusões (de aprendizagem e de aplicação). Uso de estudos dirigidos, dinâmicas de grupo, simulações, debates, análises de cases, vídeos, documentários, experiências diversas, psicodramas, leituras e desdobramentos dos temas trabalhados até sanar absolutamente todas as dúvidas. Atividades lúdicas e corporais: respiração, alongamentos, toques, etc.

·        Elaboração do Novo Plano de Ação: frente à visão diferenciada de todo o esquema, para a execução final do planejamento em termos dos objetivos e metas que se deseja alcançar.

Currículo Mínimo do Facilitador: Prof. Antonio da Costa Neto é doutorando em         Sociologia do Desenvolvimento, Mestre em Políticas e Planejamento da Educação, Administrador e Especialista em Didática do Ensino Superior e Gestão de Pessoas.  Professor universitário, pesquisador, consultor em planejamento e gestão, conferencista na área e autor de vários livros e artigos afins. Tem vasta experiência nos campos da pesquisa e da investigação científica, especialmente, nas áreas de educação e gestão de pessoas. Presta consultorias para empresas, órgãos do governo, centros universitários, prefeituras e outras instituições educacionais Elabora, implanta e acompanha projetos de modernização administrativa, gestão ambiental, saúde do trabalhador, mudança de paradigmas, clima organizacional, qualidade de vida e outros. Prestou serviços afins, incluindo, a presente metodologia para, dentre outros, os principais clientes:
·        Vídeo Way – empresa de vídeo, designer, comunicação, propaganda e marketing, de Brasília – DF;
·        IDR – atual Escola de Governo do Distrito Federal, incluindo: Novacap, SHIS – Cia de Habitação do DF; SINE – DF; Secretaria de Governo do DF; Administrações Regionais do Distrito Federal;
·        Governo Federal: Ministérios das Comunicações, da Justiça, da Educação, dos Transportes e do Turismo;
·        Prefeituras: Pará de Minas – MG, Silvânia-GO; Pará de Minas-MG, Resende-RJ, Goiânia-GO, Cidade Ocidental-GO;
·        Empresas e Outras Organizações: Maranata – Materiais para Construção – DF, Mais Atacadista – DF, Banco do Brasil – S/A (setor de tecnologias e desenvolvimento);
·        Elaboração, implantação e acompanhamento do PPI – Projeto Pedagógico Institucional do UDF – Centro Universitário do Distrito Federal;
·        Prestação de serviços de consultoria organizacional ao SENAI/SENAC/SEBRAE, atuando, principalmente na CAESB/DF, CEB, Superintendência da Pesca, Núcleo de Pós-Graduação em Administração da Universidade de Brasília – UnB.
·        Exercício regular do magistério superior público e privado: Universidade de Brasília – UnB; Universidade Estadual de Goiás – UEG; UniCeub – Centro Universitário de Ensino Unificado de Brasília; IESB – Instituto de Educação Superior de Brasília.

Recursos Necessários: Sala ampla, arejada, bem iluminada, com cadeiras móveis, quadro, flip-chart, pincéis, TV, aparelho de DVD, papel pardo (bastante folhas). Custos operacionais: a negociar caso a caso, incluindo: horas-aula trabalhadas, traslado e estada do facilitador. O diferencial da metodologia exige que trabalhemos com simulações, debates, aberturas de diálogos, reflexões, dinamicidade, etc. o que demanda, além de tempo, cuidados bastante especiais para que se possam atingir às metas esperadas. A proposta do Planejamento Sistêmico-Contingencial constitui, na prática, um grande avanço frente às concepções tradicionais do planejar nas organizações (estratégica, tática, operacional, etc.), em função das suas características, que podemos considerar como as mais importantes:

·        Enfoque tridimensional: diferente das abordagens unidimensionais, que consideram unicamente o aspecto racional, o lógico das ações. Esta metodologia prioriza o racional, mas também inclui o afetivo, emocional e o prático. Dando um enfoque muito mais completo. Assim, o Planejamento Sistêmico-Contingencial considera os potenciais lógicos, os emocionais e os operacionais dos que o elaboram e o executam. Bem como, dos que se utilizam de sua ação e resultados na prática em que ele, efetivamente, acontece. Então, considera e utiliza a inteireza das pessoas e não apenas as suas competências e conhecimentos técnicos e profissionais.

·        Filosofia dual: opera, nos mínimos operacionais com que trabalha a dualidade dos processos. Pois visa a sua completa interação com os meios interno e externo, complexos e biodiversificados, dentro e fora da organização. Assim, ao se tomar toda e qualquer decisão, são feitas, antes, as seguintes perguntas:- A favor de que e de quem estamos trabalhando?- Contra o que e contra quem poderão atuar tais processos e resultados? As políticas e diretrizes só são adotadas conscientemente, e, a partir de critérios elaborados e bem estudando tentando evitar falhas e defasagens de quaisquer espécies. Nesta metodologia não há lugar para ingenuidades técnicas, econômicas, humanas e sociais outras. Mas tudo é feito mediante um estudo criterioso de um conjunto de possibilidades. Igualmente, não se buscam apenas resultados, que são, logicamente, priorizados; mas são tão importantes quanto os processos que se desencadeiam.  Assim, ambos são considerados e respeitados o tempo todo. Não podendo ser sacrificados e nem suprimidos um ou outro. Nem no sistema, o todo, nem na contingência, a parte.

·        Concepção técnica e política: no conjunto de atividades, funções e tarefas que constituem a consecução e a execução do planejamento, são definidas como técnicas ou políticas. Há aquelas que dependem do conhecimento, da abordagem tecnológica e da experiência teórico, conceitual e prática das equipes que as executam. Mas há também as de caráter político, que envolvem a emoção, o sentimento, o desejo, o caráter, a posição, as crenças, valores, desejos das pessoas. Portanto, ao se definir uma equipe de trabalho é preciso se considerar todo este potencial de variáveis e valores. Levando-se em conta a especificidade da organização, do momento, da situação ou do projeto trabalhado, especificamente.

·        Ação inclusivista: nesta linha de ação se inclui, e nunca exclui segmentos e fatores. Planeja-se para o bem de tudo, e, principalmente, de todos. Portanto, são considerados os impactos possíveis do planejar, do pensar e do fazer no processo macro-dinâmico: o técnico, o econômico, o político, o ético, o psicológico, o social, o humano e o ecológico, dentre outros, caso. Medidas são tomadas dentro de uma maneira inclusiva, ou seja, quando beneficiam a todos os segmentos. E não, para beneficiarem a alguns e prejudicarem os demais, conforme os modelos tradicionais de planejamento e gestão. Normalmente, apenas se pensa no econômico, no lucro, desprezando-se todos os demais aspectos. Sendo esta, exatamente a grande crítica que é feita e que aqui se busca superar. Entende-se hoje por abordagem sistêmico-contingencial a fusão e confluência dos instrumentos táticos e operacionais que envolvem as linhas de ação do planejamento e que visem ao alcance das melhores estratégias possíveis para a solução dos problemas de uma organização, interna e externamente. Uma visão macro, global de todo processo. Modernamente também denominado de Planejamento Sistêmico-Contingencial, conforme aqui denominamos. Trabalha-se num enfoque de construção coletiva. Incluindo critérios de definição democrática das decisões. Envolvendo o processo macro-dinâmico, tanto interno, quanto externo. Podendo ser consideradas como suas grandes vantagens os seguintes diferenciais:
                            a)  visão sistêmica: integração e percepção do todo que envolve  proces-              
                                sos organizacional e humano;
                            b)  concepção ideológica: o compromisso político com a busca de melho-
                                rias contínuas de todos os fatores que integram direta ou indiretamente      
                                a organização e as qualidades política, técnica, produtiva, econômica  ,
                               social e ecológica da sua vida e de quem nela atua.
Os elementos necessários à visão do todo e das estratégias a serem trabalhadas, podem ser, então, assim enumerados:
·        Missão: é a razão maior de existência de uma organização, a sua função permanente no contexto da sociedade. O que dela se espera, legitimando a sua existência no meio em que se inclui: princípios, concepções, ideologias, filosofia de ação, métodos, processos, atividades, funções e efetivos resultados, priorizando o técnico-produtivo e o econômico-financeiro, mas incluindo todos os demais aspectos da condição humana.
·        Meta: o resultado maior que se busca atingir num determinado projeto, plano de trabalho, ou o fim da organização como um todo. Para o quê, inclusive, busca-se o Planejamento como instrumento facilitador de seu alcance.
·        Objetivos: pontos quantificáveis que são atingidos pela organização, a cada passo, por meio do trabalho ou projetos específicos, enquanto se busca alcançar a meta. Para um alcance didático, dizemos que são, em síntese, “as pequenas metas” necessárias à concretização da “meta maior”.
·        Problemática: é o que se deseja solucionar, ou  pontos que não satisfazem plenamente  e que dificultam o atingir de objetivos, metas ou o cumprimento da missão. São as várias dificuldades que emperram o pleno atendimento da meta (conjunto dos problemas detectados).
·        Análise Processual dos Problemas: é o estudo criterioso e sistemático de cada um dos problemas priorizados, buscando identificar: a)Causas: o que levou o problema a acontecer; b) Efeitos: o que cada causa trás como consequência imediata (levando, o somatório dos efeitos, a caracterizar o problema); c) Processos: como estes efeitos se operacionalizam na prática; d) Resultados: a globalidade das consequências, fruto da inclusão das causas, dos efeitos e dos processos  que interferem na vida da organização e das pessoas. Tal entendimento irá subsidiar a realização da etapa posterior que pode ser assim classificada para fins operacionais em:
      Matrizes Vetoriais de Problemas e Operações:                        
            I – o instrumento de análise da tipologia de impactos causados por cada solução em todos os problemas que foram priorizados para a realização do trabalho. A existência de um ou mais impactos negativos leva à necessidade de se repensar estrategicamente a solução encontrada, até transformar todos os impactos em positivos, ou no mínimo, neutros em relação à problemática maior: ou seja, o encontro da melhor solução possível, ou, como denominamos, a Solução Estratégica, cujo encontro, a aplicação e a avaliação constante e integrada constitui, em si, o motivo de se implementar a presente metodologia.
            II – igualmente, a ferramenta de análise dos impactos das Soluções Estratégicas nos elementos que constituem a macro-dinâmica de toda a organização (em termos internos e externos). Para só, então ai, termos definidas as Políticas & Diretrizes que serão, futuramente, implementadas dentro do esquema geral de trabalho. É, pois, um instrumento utilizado aqui no sentido de se fazer o perfeito cruzamento de todos os dados coletados, para, só assim, definir as:
Políticas & Diretrizes – P&D: as definições mínimas que irão orientar os Novos  Planos de Ação que serão elaborados depois de “otimizadas” as soluções estratégicas em relação ao processo macro-dinâmico.
Elas constituem, efetivamente, o que irá ser colocado em prática para se consolidar a práxis – as mudanças propostas – que se busca com o planejamento específico. Entendendo, finalmente que, as pessoas, uma vez qualificadas e orientadas por tais processos terão melhores meios e condições de se concretizar as transformações internas e externas esperadas e difundidas. Caso contrário, não se justifica a execução deste trabalho.
·        Processos a Desencadear: ações, transformações, atitudes, comportamentos e/ou performances pessoais e gerais desencadeadas no planejamento ou através dele. Aspectos nos quais as pessoas melhoraram, aperfeiçoaram seu comportamento, visão, personalidade e demais aspectos afins. Ou a nova dinâmica de processamento das operações no cotidiano organizacional: práxis humanas, técnicas, econômicas e outras relacionadas com a efetiva melhoria da  capacidade das pessoas, e, consequentemente, dos produtos, dos serviços e dos resultados gerais da ação organizacional.
·        Resultados a Atingir: aspectos concretos que se espera que aconteça com o  Planejamento, uma vez implementado pela organização. O que será feito de novo e os seus critérios devidamente associados aos processos, devem constituir o pleno atendimento dos objetivos e metas (somados e integrados). O bom planejamento deverá favorecer à concretização dos resultados anteriormente previstos, ou ultrapassá-los qualitativa e quantitativamente, para a melhora concreta do todo, entendendo a organização suas atividades, as pessoas, a sociedade e suas relações.
·        Novos Planos de Trabalho: os vários subprojetos que se originam no planejamento elaborado e executado naquela organização. Considerando, na prática concreta, suas especificidades, planos, metas, momento e objetivos que circundam a missão organizacional naquela dada realidade e com a a implementação da presente metodologia.

VI – PROGRAMA SIMPLIFICADO DO WORKSHOP

Apresentamos aqui uma síntese básica do programa do workshop, que, evidentemente, será adaptado de conformidade com os grupos, a tipologia do trabalho, da organização em si e demais aspectos. Para tanto, contamos com todo um material de suporte acadêmico previamente elaborado. O enfoque central deste momento serão as técnicas e os manejos utilizados nos processos de ensino e de aprendizagem, visando a livre intermediação da pessoa, do conhecimento, da opinião, do desejo, ritmo e estilo de cada um que deverá ser conhecido e respeitado ao longo de todo o processo por meio de:
a)       negociação – sempre – e nunca, imposição de táticas, regras ou normas;
b)       votação e aprovação das regras vigentes;
c)       indução e dedução simultâneas;
d)       horizontalidade democrática do tratamento das pessoas;
e)       argumentação espontânea e permitida – até encorajada;
f)         aproveitamento da sistematização, novas ideias, críticas, sugestões, etc.;
g)       conclusões de aprendizagem e de aplicação a cada uma das unidades.

 Podemos, então, sintetizar, genericamente, o conteúdo e os programas  dos workshops, como sendo:

6.1 – Apresentação fundamentada do plano de trabalho: elaboração conjunta e votação das normas para o evento. Todos deverão ter adesão a este processo, no sentido de se cativar a participação intensa, democrática e efetiva de todos, visando, portanto, um melhor resultado possível do workshop.

6.2 – Os paradigmas em planejamento: o novo e o antigo. A ciência, a técnica, a filosofia e os processos ideológicos no planejamento. O enfoque tridimensional: científico, afetivo e operacional. Processos e resultados, ação, dinamicidade, perguntas e respostas, surpresas, tomadas de decisão e suas contingências.

6.3 – O esquema individual e a sua interferência no processo de planejar. A condição, a posição das pessoas, os enfoques, carências, necessidades, visão de mundo, jogos de poder e de interesse na ação de planejar. Relações de grupos e subgrupos.

6.4 – Introdução ao Planejamento Sistêmico-Contingencial: fases e etapas. Aspectos técnicos e políticos. A importância da tomada de decisão, seus fatores diretos, indiretos e as interferências conscientes e inconscientes que sofrem. Importância fundamental deste processo. Estudo complementar dele: formas ética, técnica, política, ideológica, resultados, produção, produtividade, práxis diversas.

6.5 – A implementação do Planejamento: a) Definição do Tema: objetivos, problemas; b) Coleta de dados e diagnóstico situacional; c) Priorização das dinâmicas e metas;. d) Prontidão material, intelectual, social e política para o planejar; e)Processo de tomada de decisão: importância política, aspectos trans e multi disciplinares, interferências e complexidades; f) Enfoque experimental do planejamento: o que poderá ou não funcionar, processos e resultados, jogos de satisfação e de poder, preparo adequado das pessoas e dos instrumentos; g) Implantação – fases, etapas, estudos dos problemas, soluções e suas intercorrências; h) Acompanhamento:  retroalimentação, adaptação de cada uma das fases, se necessário; i) Feedback contínuo dos processos e resultados; correção de possíveis falhas e defasagens, análise de aspectos e critérios tangíveis ou não, tanto no sistema, quanto em cada uma das contingências trabalhadas.

6.6 – Implementação do Planejamento Sistêmico-Contingencial: a) Escolha e priorização dos problemas para os quais vamos planejar as soluções; b) Definição dos problemas a partir dos mínimos operacionais: O quê? Como? Para quê? Para quem? Com o que? A favor de que e de quem? Contra o que e contra quem? c) Análise Processual dos Problemas; d) Matrizes Vetoriais de Problemas e Operações I e II; e) Definição e discussão das políticas e diretrizes a implementar; f) Elaboração detalhada do Novo Planejamento em termos de Planos de trabalho dentro do melhor enfoque metodológico escolhido pelo grupo sob a orientação do facilitador.

6.7 – Discussão, resoluções complementares das soluções: Discussão final do plano e definição operacional da continuidade. Esclarecimento de possíveis dúvidas, debates e outros informes. Conclusões, análises e avaliações pessoais, feitas em rodízio, dando, a cada um dos elementos do grupo a oportunidade de voz para uma palavra final  a fim de satisfazer possíveis necessidades de todos neste sentido. Encerramento dos trabalhos e despedida afetiva do grupo.

VII – DADOS COMPLEMENTARES

Esta metodologia de trabalho, agregando concepções filosóficas semelhantes, tornou-se, ao longo dos tempos mais necessária frente às agruras, dificuldades, problemas, limitações de nossas das organizações – e, logicamente, das pessoas que as compõem – e os conflitos gerais que, em última análise, precisam ser superados com a urgência possível, frente às exigências do mercado e da realidade da vida que daí advém.  Numa rápida análise, podemos ver a insatisfação quase que generalizada do trabalhador exposto a esquemas de opressão e exploração descabidas para o nosso tempo. O que, por sua vez gera as crises, o absenteísmo que tudo prejudica em termos de produção, produto, lucro e a efetiva cultura organizacional que requer medidas profundas e não mais, meros aparatos superficiais, apenas negligenciadores de uma realidade muito mais do que preocupante, não só para as organizações, mas para a sociedade e a vida no seu sentido global e em, praticamente, todas as dimensões do mundo.
É um programa  que visa  a capacitação e o preparo técnico, mental, ideológico, político e sensitivo das pessoas, num tempo em que a tecnologia e o desenvolvimento científico não podem mais permitir certas fragilidades e lacunas entre o empreender e  a boa  qualidade de vida no tocante  à  resolução de  seus muitos e cada vez mais complexos problemas. Em vários aspectos não dá mais para entender e muito menos, aceitar, o atraso conceitual, a ingenuidade das pessoas, dando espaço para serem consumidas e exploradas em todos os aspectos. Levando, com isto, a economia, o mercado, a produção, a técnica, a lucratividade ao mais absoluto caos. Ao mesmo tempo em que as organizações se corroem, continuam perdidas e perplexas em meio aos sérios atributos a que podemos testemunhar todos os dias dentro da atual realidade.
 Assim, a metodologia do Planejamento Sistêmico-Contingencial apresenta seu duplo objeto: o de implementar uma concepção mais ampla, eficaz de resolução dos problemas organizacionais, administrativos, técnicos, econômicos e afins. Enquanto  – daí o seu diferencial – proporciona às pessoas consciência, criatividade, sagacidade, malícia para viverem bem e com capacidade de contribuir com autonomia, visão crítica, iniciativa, criatividade lúdica para a efetiva melhora da organização, da produção, da produtividade, e, por consequência, de uma vida concretamente melhor. E são estes os valores que faltam na cultura das organizações e das empresas para a elasticidade da economia, a garantia de vantagens, do crescimento econômico e da humanização das relações e da vida humana, seu objetivo maior, sem o quê, nada se justifica.      
Já é muito mais que tempo de avançarmos em todos estes sentidos. As pessoas precisam tomar consciência do rumo ideológico das coisas e pararem de lutar cegamente contra elas próprias, seus destinos, sonhos, desejos, ou seja, competindo com o que deveriam cooperar e vice-versa. Dificultando, sem que saibam a  própria felicidade, a realização de seus ideias, as conquistas, a plena cidadania. É preciso que elas se revistam de uma outra ótica, que usem, para isto, lentes de aumento para enxergarem além do óbvio, para o que são manipuladas pela própria cultura ultrapassada de um sistema econômico tão perverso quanto o nosso. Que sejam autônomas, críticas e criativas na busca do que, de fato, seja melhor para todos. Sendo esta a saída possível.
Nossa cegueira conceitual ainda, infelizmente, não nos permite abandonar métodos e processos altamente defasados e que vão de encontro, justamente aos objetivos e metas que buscamos para  nossas vidas, nosso trabalho, enfim, para o que nos acostumamos a chamar de sistema, mas a que damos um tratamento oposto e por isso, a muito, ele não funciona a contento frente à complexidade dos problemas que temos. Nada mais pode ser  excelente só para quem comanda. Mas ao contrário, apenas será excelente, se o for, para todos, sem estigmas, escolhas ou determinações que marginalizam muitos e beneficiam poucos – e o pior, os mesmos, durante séculos. A realidade do mundo das empresas e do trabalho trás exigências  novas e que ainda não tivemos o conhecimento e nem coragem ou oportunidades para gozá-las.  Devemos fazer tudo para a busca dos encantos do bem-comum, dos poderes de todos e para todos, da justiça social e outras belezas e direitos da vida, do trabalho, das relações o que otimizará as relações, a produtividade e a lucratividade dentro de uma ótica mais global.
Hoje, o produzir bastante e bem passa por outras consonâncias e exigências. É preciso que o trabalhador seja sujeito direto dos processos nos quais atua e não mais apenas “coisificado” por regras e normas estereotipadas por um poder ultrapassado historicamente. Quem trabalha é o ator da história e, não mais, um mero inocente cumpridor de  regras, sem questioná-las e nem saber que podem ser nocivas ao seu corpo, ao seu espírito à sua vida, perspectivas e esperanças. Foi-se o tempo desta cegueira doentia, desta ingenuidade sem precedentes. Precisamos hoje planejar, ampliar e rever fases e processos. Para que todos ganhem, a justiça social se concretize e nos aproximemos o mais possível da felicidade para todos os seres vivos, o que depende, também, do fluxo natural do trabalho e da economia. Assim é que poderemos vislumbrar uma organização de sucesso, seja ela qual for.
A presente proposta de trabalho quer ser uma fonte de novos saberes na constituição de um mundo rico, vívido, de uma sociedade plural, justa e melhor o que, acreditamos, começa no trabalho e na busca dos meios de vida de cada um de nós. Sem sombras, distinções, preconceitos, mágoas e sofrimentos. Trata-se de um voo ético. Um trabalho que busca a eficiência e a eficácia profissionais acima de tudo. Mas não só, com base na técnica fria. Mas incluindo dignidade, respeito e cidadania, rumo ao sonho ainda utópico da transformação que, ao que parece, todos desejamos. Esperamos que a sua realização faça transmutar coisas, balizar mudanças rumo ao alcance de uma realidade e de uma relação econômico produtiva sempre e cada vez melhor. Ou seja,na consonância da plenitude possível. Pois a evolução humana, da ciência e da tecnologia já a muito nos dita estes rumos e as possibilidades. Falta-nos aprender e enfrentar os desafios – o que nos propomos fazer aqui.

 VIII – BIBLIOGRAFIA BÁSICA CONSULTADA:

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Realização:

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